Carro voador da Embraer tem meta de certificação adiada para 2028
Subsidiária Eve Air Mobility afirma ter caixa suficiente para sustentar operações até a certificação, apesar dos atrasos sucessivos
A Eve Air Mobility adiou para 2028 a meta de certificação de sua aeronave elétrica de pouso e decolagem vertical (eVTOL), também conhecido como ‘carro voador’, estendendo novamente o cronograma enquanto a empresa controlada pela Embraer segue com os ensaios em voo e o desenvolvimento do projeto.
O novo cronograma foi confirmado nesta semana por executivos da Eve, que agora preveem a entrada em serviço da aeronave em 2028. O programa já havia sido postergado para 2027 após o adiamento da meta original, que era 2026.
Atualmente, a Eve conta com um único protótipo em escala real em campanha de ensaios em voo. A aeronave começou a voar no ano passado em configuração não tripulada, enquanto a empresa avalia comandos de voo, desempenho e integração dos sistemas.
Em conversa com jornalistas em 12 de junho, o CEO da Eve, Johann Bordais, afirmou que a empresa mantém o foco no controle de gastos ao avançar rumo à certificação.
Carro voador da Embraer (BNDES)
Segundo Bordais, a Eve encerrou o primeiro trimestre com US$ 441 milhões em caixa e considera esse montante suficiente para sustentar as operações durante a campanha de certificação.
O executivo também afirmou que o consumo de caixa em 2026 deve ficar na faixa inferior da projeção da empresa, entre US$ 225 milhões e US$ 275 milhões.
Eve deve gerar mais de US$ 1 bilhão em receita anual
A mais recente revisão do cronograma ocorre em meio a desafios de certificação e desenvolvimento enfrentados por todo o setor de eVTOL. Diversos fabricantes que inicialmente previam entrada em serviço para meados da década já adiaram seus planos, enquanto reguladores e desenvolvedores buscam superar as complexidades de certificar uma nova categoria de aeronave.
O primeiro protótipo do Eve-100, carro voador da Embraer/Eve (Embraer)
Apesar do atraso, a Embraer segue destacando a Eve como potencial futura fonte de receita para o grupo. O CEO Francisco Gomes Neto afirmou nesta semana que a Eve pode, futuramente, gerar entre US$ 1 bilhão e US$ 1,5 bilhão em receita anual após o início da produção em escala, dependendo da demanda de mercado.
Diferentemente de alguns programas concorrentes que já realizaram voos com protótipos tripulados, a aeronave da Eve permanece em fase inicial de testes. Ainda assim, a empresa acumula uma das maiores carteiras de pedidos do setor, com cartas de intenção para mais de 2.800 aeronaves de companhias aéreas, empresas de leasing e operadores de mobilidade aérea urbana em todo o mundo.