A companhia aérea de baixo custo malaia AirAsia está em conversas com o governo da Malásia em meio à busca por captar US$ 1 bilhão em novo financiamento diante de pressão financeira e aumento dos custos operacionais.

Pessoas a par das discussões disseram que o governo e a AirAsia discutiram um possível apoio ao esforço de captação, segundo informou a Reuters. As conversas ocorreram no final de setembro e podem envolver condições ainda não definidas.

O cofundador da AirAsia, Tony Fernandes, confirmou que houve reuniões, mas negou ter pedido ajuda financeira ao governo. Segundo ele, as discussões se concentraram nos altos custos operacionais, incluindo combustível e taxas aeroportuárias, além de melhorar o acesso a financiamento junto a bancos malaios.

A companhia pretende levantar o emprésitmo entre dezembro e fevereiro de 2027. Cerca de metade será usada para refinanciar dívidas caras já existentes, enquanto o restante se destina a capital de giro e obrigações pendentes.

Siga AIRWAY: WhatsApp | Instagram | LinkedIn | Twitter | Facebook

O Ministério das Finanças da Malásia contratou a Alton Aviation Consultancy para avaliar as necessidades financeiras da AirAsia. Representantes da consultoria participaram das discussões com a companhia.

Tony Fernandres (direita), CEO da AirAsia (World Travel & Tourism Council)
Tony Fernandres (direita), CEO da AirAsia (World Travel & Tourism Council)

O ministro dos Transportes, Anthony Loke, afirmou na segunda-feira que sua pasta não realizou reuniões com a AirAsia nas duas ou três semanas anteriores, embora não tenha descartado conversas envolvendo o Ministério das Finanças.

Pressão financeira persiste

As conversas mais recentes ocorrem após preocupações sobre a situação financeira da AirAsia que surgiram no início deste ano. No fim de junho, a empresa registrou saldo de caixa e bancos de RM1 bilhão (US$ 234 milhões), frente a passivos circulantes de RM19,3 bilhões (US$ 4,5 bilhões).

A AirAsia teve prejuízo líquido de RM872 milhões (US$ 204 milhões) no segundo trimestre. O preço médio do querosene de aviação subiu 66% em relação ao primeiro trimestre, atingindo US$ 183 por barril, o que aumentou a pressão sobre os custos operacionais.

Fernandes afirmou que a companhia está planejando suas operações considerando que os preços elevados do combustível devem persistir por mais 12 meses. Ele também disse que os fatores de ocupação de passageiros seguem acima de 80%, apesar das tarifas mais altas.

O governo malaio tem interesse especial na AirAsia devido ao papel da companhia na conectividade doméstica. A empresa responde por cerca de 60% do transporte aéreo doméstico da Malásia e emprega cerca de 26 mil pessoas.

Em setembro, o governo procurou a Malaysia Airlines e a Batik Air para avaliar a capacidade de ambas em oferecer mais voos domésticos caso a AirAsia precise reduzir operações. Não há indicação de que o plano de contingência tenha sido acionado.

A AirAsia também trabalha em uma reestruturação de seus negócios de aviação para consolidar operações sob um único grupo aéreo e melhorar o acesso a capital.

Airbus A220 2026
Airbus A220 2026 | Airbus

AirAsia tem maior encomenda do rival do Embraer E2

A pressão financeira logo após a AirAsia anunciar uma grande mudança em sua estratégia de frota. Em maio, a companhia fez um pedido firme de 150 Airbus A220-300, com opções para mais 150, o maior pedido único do programa.

As primeiras entregas estão previstas para 2028. A AirAsia pretende usar o A220, de menor capacidade, em rotas onde a demanda não justifica o uso dos maiores Airbus A320 e A321, abrindo mercados que a frota atual não consegue atender com a mesma eficiência.

A introdução do A220 exigirá investimentos além das aeronaves. Pilotos e equipes de manutenção precisarão de treinamento para o novo modelo, enquanto a companhia terá que estabelecer suporte técnico, estoques de peças de reposição e outras infraestruturas para uma família de aeronaves que ainda não opera.

A Airbus planeja inaugurar seu primeiro simulador de voo completo do A220 na região Ásia-Pacífico em Cingapura no final de 2027, pouco antes do início das entregas para a AirAsia.

O A220 é o principal rival do Embraer E2, que também disputou o pedido da empresa malaia.