A companhia aérea romena AnimaWings entrou com pedido de insolvência após retirar de operação toda a sua frota de seis Airbus A220-300, restando apenas dois A320 disponíveis para manter parte de sua malha regular.

O pedido foi protocolado no Tribunal de Bucareste em 30 de setembro, e a empresa informou que o processo permitirá a continuidade das operações enquanto reestrutura suas obrigações financeiras. A AnimaWings atribuiu a decisão principalmente a problemas técnicos recorrentes que afetaram sua frota, além do aumento dos custos operacionais e de um ambiente econômico desfavorável.

Registros de voos mostram, no entanto, que a retirada dos A220 não ocorreu de forma simultânea. Algumas aeronaves deixaram de voar ainda no início de setembro, enquanto outras permaneceram em operação regular de passageiros até pouco antes do pedido de insolvência.

Uma delas, YR-GUN, realizou seu último voo em 20 de setembro. A aeronave partiu de Bucareste para Nice, mas retornou à capital romena antes de chegar ao destino e não voltou a operar desde então.

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Outros A220 continuaram voando por mais uma semana. O YR-FUN permaneceu em serviço até 28 de setembro e encerrou o dia em Timișoara, enquanto o YR-CHR voou de Bucareste para Londres Gatwick na mesma data e permaneceu lá.

Airbus A320 Animawings YR-AGA
Airbus A320 Animawings YR-AGA | MarcelX42

Dois A220 enviados para Toulouse

O sinal mais claro de que a AnimaWings está desmobilizando sua operação com o A220 surgiu horas após o pedido de insolvência. YR-BUN e YR-RUN decolaram de Bucareste com nove minutos de diferença na noite de 30 de setembro e seguiram diretamente para Toulouse.

YR-BUN partiu às 22h28 (horário local) e chegou a Toulouse às 0h21 de 1º de outubro. YR-RUN decolou às 22h37 e pousou às 0h32.

Registros de frota agora indicam ambas as aeronaves estacionadas em Toulouse e fora de uso. Os dois jatos também estão entre os mais novos da frota da AnimaWings: o YR-BUN foi entregue em abril de 2026 e o YR-RUN em março.

Todos os seis A220-300 são arrendados, com mais de um arrendador envolvido. O YR-BUN está vinculado à SMBC Aviation Capital e o YR-RUN à Air Lease Corporation, enquanto outras quatro aeronaves foram associadas à Azorra.

A AnimaWings negou informações de que obrigações de leasing não pagas teriam motivado a retirada. A companhia afirmou que a decisão de retirar as aeronaves de serviço foi própria e resultou de dificuldades técnicas recorrentes.

A empresa não identificou publicamente um componente ou sistema específico responsável pelos problemas. As seis aeronaves utilizam motores Pratt & Whitney PW1500G, mas a AnimaWings não atribuiu a decisão aos motores.

airBaltic A220-300
airBaltic A220-300 | Alf van Beem

A220 dando azar?

A AnimaWings recebeu seus dois primeiros A220-300 em dezembro de 2024 e expandiu rapidamente a frota. As seis aeronaves foram entregues entre dezembro de 2024 e julho de 2026, tornando a frota de A220 com menos de dois anos de uso.

O modelo também havia se tornado central para as operações da companhia. Dados de utilização dos últimos 12 meses mostram que os A220 realizaram em média cerca de 5,7 voos e 8,1 horas de voo por dia, contra 5,1 voos e 8,9 horas dos dois A320.

O A220 é rival do Embraer E2, nova geração do jato brasileiro. A AnimaWings é mais uma companhia aérea a passar por problemas e, coincidentemente, voar com o jato canadense. A airBaltic teve que entrar no Chapter 11 após se endividar e decidir reduzid sua numerosa frota de A220-300.

A airAsia, empresa low-cost da Malásia, fez a maior encomenda da história de jatos A220 e agora passa por uma crise de confiança que fez o governo do país consultar outras companhias em caso de colapso.

Airbus A220-300 AnimaWings YR-CHR
Airbus A220-300 AnimaWings YR-CHR | Colin Cooke Photo

Sobraram dois A320

A retirada deixa, portanto, a AnimaWings apenas com YR-AGC e YR-AGD, seus dois A320, para operar uma malha que havia sido planejada para oito aeronaves. Horários de voos em 1º de outubro ainda mostravam diversos serviços atribuídos aos A220, enquanto alguns foram cancelados e outros operados pelos A320 restantes.

A AnimaWings alertou os passageiros sobre possíveis alterações adicionais, adiamentos e cancelamentos. Informou que os clientes afetados seriam contatados diretamente e teriam direito a reembolso ou alternativas de viagem, quando disponíveis.

A pressão financeira já havia aumentado antes da retirada da frota. Dados financeiros romenos citados pela imprensa local apontaram cerca de 11,5 milhões de lei (US$ 2,6 milhões) em obrigações fiscais em atraso em 30 de junho, ante 5,63 milhões de lei três meses antes.

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A companhia registrou aproximadamente € 66,5 milhões (US$ 78 milhões) em receita em 2025, mas teve prejuízo superior a € 22 milhões (US$ 26 milhões), após ter apresentado lucro no ano anterior.

Ainda assim, a AnimaWings continuava anunciando planos de expansão para 2026. Em agosto, a empresa afirmou que pretendia crescer para 14 aeronaves até o fim de 2027 e ampliar os voos regulares a partir de Bucareste, Timișoara e Cluj-Napoca.

O pedido de insolvência não interrompe automaticamente as operações. A AnimaWings afirma que pretende continuar voando durante o processo de reestruturação, embora sua frota disponível tenha sido reduzida de oito para duas aeronaves.