Companhia aérea sul-africana quer avião que a Embraer ‘congelou’
Executivo da Airlink afirmou jato E175-E2, cujo projeto está pausado, seria uma alternativa atraente para substituir seus aviões menores
A companhia aérea sul-africana Airlink surpreendeu ao considerar o Embraer E175-E2 como uma possível opção de longo prazo para renovação de frota. O modelo é o terceiro membro da nova família E2, mas não tem previsão de entrada em serviço.
Em entrevista ao AirInsight, o CEO da Airlink, de Villiers Engelbrecht, afirmou que o E175-E2 poderia se tornar relevante no futuro, à medida que a companhia se prepara para retirar de operação seus Embraer ERJ 135 e ERJ 140. A Airlink ainda opera 27 aeronaves dessas famílias, cujos motores Rolls-Royce devem perder o suporte por volta de 2030 ou 2031.
O E175-E2 faz parte da segunda geração da família E-Jet, que inclui também os modelos E190-E2 e E195-E2. No entanto, o desenvolvimento do E175-E2 está há anos congelado. A aeronave foi concebida para atender às cláusulas de escopo do mercado regional dos Estados Unidos, que limitam o uso de jatos a no máximo 76 assentos e peso máximo de decolagem de cerca de 39 toneladas.
Os E2 da Airlink são configurados com 136 assentos (Embraer)
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Essas regras não foram alteradas, e o E175-E2 ultrapassa ambos os limites, podendo transportar até 88 passageiros e operando com peso significativamente superior. Diante disso, a Embraer interrompeu o programa após a construção de um único protótipo, que posteriormente teria sido desmontado, e tem reiterado que não pretende retomar o desenvolvimento sem mudanças claras no ambiente regulatório ou de mercado nos Estados Unidos.
Engelbrecht reconheceu que, do ponto de vista operacional, o E175-E2 seria uma solução adequada para substituir os ERJ135 e ERJ140, oferecendo maior eficiência e capacidade. Ainda assim, destacou que essa discussão é hipotética e de longo prazo, especialmente diante da posição atual da Embraer sobre o programa.
ERJ 140 da Airlink, da África do Sul (Alan Wilson).
No curto prazo, a prioridade da Airlink é a introdução do E195-E2. A empresa tornou-se cliente de lançamento do modelo na África, com a primeira aeronave entrando em serviço em dezembro de 2025, após um processo de certificação em múltiplas etapas. Três E195-E2 já estão em operação, com outras sete unidades previstas para entrega em 2026 e mais três em 2027, completando o pedido atual.
Segundo o executivo, apenas após a plena incorporação dos dez E195-E2 à malha e a avaliação de seu desempenho operacional a Airlink deverá retomar discussões sobre a substituição de aeronaves de menor porte, incluindo, eventualmente, o E175-E2.