Concluir segundo exemplar do An-225 é “inviável”, diz presidente da Antonov

Segundo cargueiro An-225 inacabado teve sua produção interrompida em 1994
(Thiago Vinholes)
Maior avião do mundo: o An-225 pode decolar com peso máximo de até 650 toneladas (Thiago Vinholes)

O aumento na frequência de fretamentos do An-225 em meio à pandemia do novo coronavírus levantou especulações sobre a Antonov finalmente concluir um segundo exemplar inacabado do maior avião do mundo que atualmente está armazenado na sede da fabricante na Ucrânia.

No entanto, o CEO da Antonov, Oleksander Donets, tratou de dar um banho de água fria nos entusiastas que torciam pela finalização da aeronave. Em entrevista ao jornal ucraniano Kyiv Post, o executivo afirmou que é “economicamente inviável” concluir a montagem do segundo An-225.

Donets disse à publicação que não faria nenhum sentido do ponto de vista financeiro terminar a aeronave e que seria necessário redesenhar o avião inacabado inteiramente para adaptá-lo às condições e padrões atuais.

“De acordo com estimativas feitas em 2012, quando nossas relações com a Rússia eram boas (os custos de construção para finalizar o segundo aparelho) chegaram a quase US$ 460 milhões levando em consideração as especificações antigas com as quais foram construídas”, disse Donets, acrescentando que o valor para finalizar o avião com componentes mais modernos seria ainda mais alto.

Segundo estimativas da Antonov, o segundo An-225 jamais recuperaria esse valor investido. O custo para contratar o “Mriya” (Sonho, em ucraniano) gira em torno de US$ 1 milhão. Normalmente, o gigante com seis motores opera em média 20 voos por ano. Mesmo que a demanda pela aeronave tenha aumentado durante a crise da Covid-19, sua clientela ainda é bastante limitada.

“O An-225 foi projetado especificamente para transportar o Buran (antigo ônibus espacial do programa espacial soviético), não para cargas humanitárias. Isso era algo que União Soviética podia pagar”, comentou Donets.

O An-225 nos tempos da União Soviética: missão de transportar o ônibus espacial Buran (Vasiliy Koba)

“Mais importante, quase 35% dos aeroportos (do mundo) não podem fornecer espaço para pouso (para o An-225). Por causa de suas dimensões e envergadura, não se encaixaria nas faixas pista. Não recuperaremos os custos”, continuou o CEO da Antonov.

Carcaça abandonada

O primeiro An-225 Mriya foi finalizado em 1988, ano em que também realizou seu voo inaugural. Seu objetivo era transportar veículos lançadores espaciais e seus componentes para o antigo programa espacial soviético, que nessa época projetava o ônibus espacial Buran.

O programa Mriya previa a construção de duas aeronaves superpesadas. No entanto, a construção do segundo aparelho foi interrompida em 1994 devido à falta de financiamento. O projeto foi reativado brevemente em 2009, mas, logo foi paralisado novamente. Segundo a Antonov, cerca de 70% da aeronave foi concluída.

O segundo Antonov An-225 nunca foi finalizado
O segundo Antonov An-225 nunca foi finalizado

Ao longo dos anos, a Antonov afirmou que estaria pronta para concluir a construção da aeronave caso recebesse um investimento maciço. Em 2016, a AVIC da China estava supostamente interessada em participar do projeto, mas posteriormente perdeu o interesse devido ao custo extremamente alto.

O primeiro e único Mriya funcional é usado pela Antonov Airlines, a transportadora aérea ucraniana controlada pela fabricante estatal de aeronaves, para frete comercial. A vida útil do An-225 deve se estender até meados de 2030.

De acordo com o presidente da Antonov, concluir a segunda aeronave faz sentido apenas para o objetivo original do Mriya: transportar espaçonaves e seus componentes.

Veja mais: Presidente da Embraer cita China e Índia como potencial parceiros

Veja mais: E se o Antonov An-225 fosse um avião de passageiros?

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