Congo Airways encomenda dois jatos E175 da Embraer

Companhia aérea da República Democrática do Congo assinou um pedido firme por dois E175 e opções de compra para mais duas unidades do mesmo modelo
(Embraer)
Os E175 da Congo Airways serão configurados com 76 assentos; entregas começam em 2020 (Embraer)

Avião mais vendido da Embraer, o E175 conquistou um novo cliente: a Congo Airways, companhia aérea de bandeira da República Democrática do Congo. A empresa confirmou um pedido firme por duas aeronaves e direitos de compra de duas unidades adicionais do mesmo modelo. O contrato está avaliado em US$ 194,4 milhões, com os todos as opções de aquisição sendo exercidas.

“Esses novos jatos substituirão nossa frota atual de turboélices e nos permitirão servir rotas tanto na República Democrática do Congo quanto regionalmente para a África Ocidental, Central e Sul a partir da nossa base em Kinshasa. Agora, teremos a flexibilidade e aeronaves de tamanho adequado para atender nosso mercado, que está crescendo tão rapidamente que um pedido adicional pode ser necessário, para o qual o E2 é uma opção particularmente atraente”, disse Desire Bantu, CEO da Congo Airways.

A frota da companhia africana é composta atualmente por um par de turboélices Bombardier Dash-8 e outros dois jatos Airbus A320. O principal campo de atuação da Congo Airways é o mercado doméstico, atendendo oito destinos na República Democrática do Congo. Outras rotas da empresa são voos internacionais para Camarões e África do Sul.

“É ótimo receber outra companhia aérea na família de operadores da Embraer, especialmente na África, onde a demanda por viagens regionais está crescendo fortemente. Esperamos ansiosamente apoiar a Congo Airways à medida que continua ampliando a oferta de serviços aos seus clientes”, disse Raul Villaron, Diretor de Vendas para Oriente Médio e África, Embraer Aviação Comercial.

Os E175 encomendados pela Congo Airways serão configuradas em duas classes, com um total de 76 assentos, sendo 12 na classe executiva. As entregas começarão no quarto trimestre de 2020.

Best-seller da Embraer

Apesar de não voar pelo Brasil, o E175 é o jato comercial de maior sucesso da Embraer no exterior. No mercado desde 2005, o menor jato da família E-Jets de primeira geração (o E170 foi descontinuado) acumula mais de 600 unidades em operação e segue aumentando seu leque de clientes: a fabricante ainda tem mais de 180 pedidos pelo modelo.

A SkyWest encomendou 14 jatos E175-SC; aviões serão operados em parceria com a Delta (SkyWest)
Companhias aéreas regionais dos EUA são os principais clientes do E175 (SkyWest)

O principal mercado do E175 é a aviação regional dos Estados Unidos, onde estão seus maiores operadores, a SkyWest Airlines e a Republic Airline. As duas empresas, que juntas tem quase 280 aeronaves do tipo, operam em parceria com as grandes companhias aéreas dos EUA, como a American Airlines e a Delta.

Um dos principais motivos do sucesso do E175 nos EUA, se não o mais relevante, é o fato do avião da Embraer atender com precisão as exigências da cláusula de escopo dos sindicatos de pilotos no país.

Para permitir que suas parceiras regionais possam voar com aviões maiores, as grandes empresas americanas e as associações trabalhistas de tripulantes possuem acordos que limitam as capacidades das aeronaves na aviação regional. A regra permite somente aviões com até 76 assentos e com peso máximo de decolagem de 86.000 libras (poucos mais de 39.000 kg).

Com essa regra, as grandes companhias dos EUA evitam um esvaziamento natural nos quadros de pilotos, já que esses ganham mais que seus colegas contratados por empresas regionais.

O E175 ainda pode ir além do limite estabelecido nos EUA. O jato da Embraer é certificado para transportar até 88 passageiros e pode decolar com peso máximo de 89.000 libras (40.370 kg). O único concorrente do jato brasileiro nesse segmento é o CRJ900, da Bombardier.

O primeiro protótipo do E175-E2 foi flagrado recentemente na fábrica da Embraer em São José dos Campos

Esperado como grande novo avião nesse filão do mercado norte-americano, o E175-E2, porém, vem enfrentando um dilema. O modelo de nova geração da Embraer se apresenta como um produto mais eficiente, mas também é mais pesado, beirando as 100 mil libras (peso máximo de decolagem de 44.800 kg), bem acima do limite previsto nos EUA.

Ao contrário do modelo da primeira geração, que ainda acumula pedidos, o E175-E2 ainda não tem nenhuma encomenda firme. A estreia do terceiro modelo da nova família E2 é prevista para meados de 2021.

Veja mais: Jato chinês COMAC C919 começa a ser testado em condições extremas

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