Crise no FCAS: França insiste em liderar projeto e Alemanha avalia saída do programa

Diferenças entre Paris e Berlim sobre a divisão de trabalho ameaçam avanço do caça europeu de nova geração

Concepção do FCAS (Airbus)

O programa FCAS (Future Combat Air System), iniciativa conjunta de França, Alemanha e Espanha para desenvolver um caça de sexta geração até 2040, atravessa um momento decisivo. A segunda fase do projeto, que prevê a construção de demonstradores em voo, corre risco de novo adiamento devido a disputas entre os parceiros sobre liderança e divisão de responsabilidades industriais.

Segundo documentos do Ministério da Defesa alemão obtidos pela Reuters, Paris tem pressionado por um papel dominante no consórcio, algo que Berlim considera inaceitável por comprometer a participação da indústria nacional.

O impasse ocorre justamente no momento em que líderes dos dois países se reúnem em Toulon para tentar destravar as negociações.

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O FCAS, avaliado em mais de 100 bilhões de euros, envolve a Dassault Aviation, a Airbus e a espanhola Indra, e é visto como o sucessor natural dos caças Rafale e Eurofighter Typhoon. No entanto, anos de disputas sobre propriedade intelectual e divisão de trabalho já provocaram sucessivos atrasos.

Enquanto isso, um rival direto já avança: o GCAP, projeto conjunto de Reino Unido, Itália e Japão, que busca colocar em operação um caça furtivo de última geração na mesma década.

Parlamentares alemães têm levantado a possibilidade de abandonar o programa caso não haja acordo em breve. Nesse cenário, alternativas incluem a encomenda de mais unidades do Eurofighter com melhorias de desempenho até 2029 ou até mesmo a abertura de cooperação com países como a Suécia, que estuda desenvolver o seu próprio caça de sexta geração.