A Embraer encerrou o terceiro trimestre de 2026 com uma carteira de pedidos recorde de US$ 35,7 bilhões (cerca de R$ 180 bilhões), mas uma análise detalhada dos números revela que programas militares, e não aeronaves comerciais, foram responsáveis por grande parte do crescimento no último ano.
A carteira total do fabricante brasileiro subiu US$ 4,4 bilhões (R$ 22,2 bilhões) em relação aos US$ 31,3 bilhões do terceiro trimestre de 2025, um aumento de 14%. Só a área de Defesa & Segurança contribuiu com US$ 2,2 bilhões, exatamente metade desse crescimento, após sua carteira saltar de US$ 3,9 bilhões para US$ 6,1 bilhões.
A Aviação Comercial segue como o maior negócio da Embraer em carteira, com US$ 15,8 bilhões, mas cresceu apenas US$ 600 milhões, ou 4%, no mesmo período. A Aviação Executiva acrescentou US$ 900 milhões, chegando a US$ 8,2 bilhões, enquanto Serviços & Suporte aumentou US$ 700 milhões, totalizando US$ 5,6 bilhões.
A mudança alterou a composição da carteira de pedidos da Embraer. A Aviação Comercial representava quase 49% da carteira da empresa há um ano e agora responde por cerca de 44%. A área de Defesa aumentou sua participação de aproximadamente 12% para 17%.
C-390 ganha peso
Grande parte da mudança em Defesa está relacionada ao cargueiro militar C-390 Millennium. A Embraer tinha 30 C-390 restantes em sua carteira firme ao final do terceiro trimestre de 2025. Esse número subiu para 43 aeronaves.
O maior acréscimo veio dos Emirados Árabes Unidos, que assinaram um pedido firme de 10 C-390 em maio, com opções para mais 10. O acordo se tornou o maior pedido internacional do C-390 feito por um único país e ajudou a elevar a carteira de Defesa da Embraer a US$ 6,1 bilhões durante o segundo trimestre.

Outros contratos também alteraram a carteira. A Suécia encomendou quatro C-390 e Portugal acrescentou uma sexta aeronave à sua frota, enquanto a Colômbia assinou para dois aviões no último trimestre. A carteira também inclui duas aeronaves para o Uzbequistão, embora esse cliente só tenha sido identificado em 2026, após permanecer não divulgado anteriormente.
A carteira atual do C-390 inclui 10 aeronaves para o Brasil e 10 para os Emirados Árabes Unidos, cinco para a Holanda, quatro para Áustria e Suécia, três para a Coreia do Sul, duas para Colômbia, Portugal e Uzbequistão, e uma para a República Tcheca.
A mudança também é perceptível quando comparada ao A-29 Super Tucano. A Embraer tinha 31 A-29 restantes em carteira há um ano; agora são 25. O número de C-390 à espera de entrega seguiu em sentido oposto, de 30 para 43.
Novos pedidos militares podem vir
A carteira de Defesa de US$ 6,1 bilhões ainda não inclui todos os compromissos com o C-390 anunciados pela Embraer. Eslováquia e Lituânia selecionaram três aeronaves cada, mas os seis cargueiros ainda não entraram na carteira porque os contratos ainda não se tornaram efetivos.

A área de Defesa também se tornou substancialmente maior em relação às demais atividades da Embraer. Sua carteira já supera os US$ 5,6 bilhões de Serviços & Suporte e se aproxima de três quartos dos US$ 8,2 bilhões acumulados pela Aviação Executiva.
As aeronaves comerciais ainda respondem pela maior fatia individual da carteira de US$ 35,7 bilhões da Embraer. A divisão encerrou setembro com 479 aeronaves firmes à espera de entrega, incluindo 282 E195-E2, 34 E190-E2 e 163 E175.
Mas o aumento de 4% em relação ao ano anterior mostra que o recorde mais recente da companhia foi impulsionado de forma desproporcional por áreas fora da aviação comercial, com a expansão da carteira do C-390 desempenhando o papel principal.
