Boeing e Airbus compartilharam enormes prejuízos no início de 2020 (Divulgação)

A Boeing e a Airbus divulgaram os resultados do primeiro trimestre de 2020 quase ao mesmo tempo nesta quarta-feira, 29. E ambas apresentaram prejuízos enormes, de US$ 641 milhões (R$ 3,5 bilhões) no caso da fabricante dos EUA e 481 milhões de euros (R$ 2,8 bilhões) no grupo europeu.

Para a Airbus, o panorama se inverteu com a pandemia. “Vimos um sólido começo de ano, mas logo surgiu o impacto da pandemia do COVID-19 nos números”, reconheceu Guillaume Faury, CEO da empresa.

Já a Boeing culpou o impacto negativo do coronavirus: “A pandemia da COVID-19 está afetando todos os aspectos de nossos negócios, incluindo a demanda de clientes de linhas aéreas, continuidade de produção e estabilidade da cadeia de suprimentos”, disse o presidente e CEO da Boeing, David Calhoun.

Em comum, as duas fabricantes enxergam um futuro pessimista para a aviação comercial, com o colapso do tráfego aéreo e consequente redução no número de pedidos de aeronaves. A Airbus, no entanto, preferiu não fazer previsões diante da “visibilitade limitada” atual.

A fabricante afirmou que não pode entregar cerca de 60 aeronaves no primeiro trimestre por conta da pandemia do COVID-19. Essa situação se refletiu no ajuste da produção mensal de seus jatos comerciais, que passou a ser de 40 aeronaves A320, dois A330, seis A350 e quatro A220, este produzido no Canadá.

A Airbus teve uma receita de 10,6 bilhões de euros no primeiro trimestre, dos quais 71% foram da linha de jatos comerciais, que apresentou uma queda de 22% em relação ao mesmo período de 2019.

A unidade da Boeing em North Charleston : de 14 para apenas sete jatos por mês (Boeing)

Corte na produção e empregos

O panorama da Boeing é ainda mais delicado. Com uma faturamento total no trimestre de US$ 16,9 bilhões, incluindo as divisões de defesa e serviços, a fabricante dos EUA teve uma queda de receita de 26% em relação a 2019. Mas o quadro na linha de aeronaves comerciais é ainda mais impactante: redução de 48%, de uma receita de US$ 11,8 bilhões para apenas US$ 6,2 bilhões.

A empresa entregou apenas 50 aviões nesse período, um terço do que havia feito no ano passado. Por essa razão, Dave Calhoun anunciou os cortes na produção dos modelos 737, 7777 e 787.

Com a produção suspensa desde janeiro, o 737 MAX deve ter sua linha montagem reativada em breve, porém, a meta é atingir até 31 aviões produzidos por mês em 2021. Antes da crise causada pelos acidentes com o modelo, a Boeing chegou a planejar elevar a produção mensal para 57 aeronaves.

Como esperado, a fabricante também cortou mais uma vez a razão de produção do 787, atualmente seu modelo mais produzido. Ela irá dos atuais 14 aviões para apenas sete jatos por mês até 2022. Quanto ao 777, a Boeing definiu que serão fabricados somente 3 aviões por mês, seja do modelo clássico ou do novo 777X, que ainda está na fase de certificação.

O CEO da Boeing também pretende reduzir o número de empregados em 10%, o que significa algo como 15 mil pessoas. A maior parte dessas demissões será feita na divisão de aviões comerciais. Com 136,5 mil funcionários, a Airbus ainda não fala em demissões, mas anunciou nesta semana a licença remunerada de 3,2 mil empregados de uma unidade no País de Gales.

Temeroso imaginar quais resultados as duas gigantes aeroespaciais mostrarão daqui a três meses.

O A330neo já foi encomendado por 11 companhias aéreas e empresas de leasing de aeronaves (Airbus)

O A330neo só será produzido a um ritmo de dois aviões por mês (Airbus)

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