Boeing adia mais uma vez o retorno do 737 MAX ao mercado

Pandemia de Covid-19 está dificultando o progresso nos reparos e recertificação da aeronave aterrada há mais de um ano
A nova série MAX é a quarta geração do consagrado 737 (Boeing)
A nova série MAX é a quarta geração do consagrado 737 (Boeing)
A Southwest é um dos principais clientes do 737 MAX, com mais de 200 aeronaves encomendas (Southwest)

O retorno do 737 MAX ao mercado foi adiado novamente. Na última semana, a imprensa dos EUA noticiou que a Boeing deve receber a nova certificação da aeronave somente no final de setembro. É uma leve mudança em relação ao plano anterior, que previa a volta do jato no meio deste ano, mas que aprofunda ainda mais a crise enfrentada pela fabricante.

Fontes familiarizadas com as expectativas mais recentes da Boeing disseram à CNBC que a pandemia de Covid-19 está dificultando o progresso nos trabalhos para liberar o MAX. Para evitar a disseminação do novo coronavírus entre funcionários, a fabricante manteve suas principais instalações fechadas por um mês e apenas na última semana começou a retomar as atividades, embora com uma série de restrições e ritmo de produção reduzido.

“A crise do Covid-19 está complicando o processo, mas estamos fazendo um bom progresso e focados no gerenciamento de riscos de agendamento à medida que surgem. Tudo, é claro, sujeito à supervisão regulatória em andamento ”, disse um porta-voz da Boeing.

A Boeing ainda precisa concluir duas atualizações no software de controle da aeronave antes de iniciar os voos de recertificação com o FAA, a agência de aviação civil dos EUA. No começo de abril, a companhia informou que havia detectados dois problemas que poderiam gerar “falhas hipotéticas” no microprocessador do computador de controle de voo, o que poderia levar a uma perda de controle da aeronave. A segunda falha causar o desengate do piloto automático enquanto o avião se prepara para pousar.

O 737 MAX está aterrado no mundo todo desde março de 2019, após dois acidentes que mataram um total de 346 pessoas. Desde a proibição dos voos, executivos da Boeing anunciaram repetidamente diversas datas para a liberação do avião, mas novos problemas encontrados na aeronave continuam atrasando seu retorno.

O CEO da Boeing, Dave Calhoum, disse em janeiro que o avião seria certificado para voar até o meio do ano. Esse cronograma foi anunciado depois de a fabricante anunciar que interromperia a produção do 737 MAX em dezembro e em vigor desde 20 de janeiro.

Um 737 Max da Gol em meio a diversos jatos produzida pela Boeing e proibidos de voar (Reprodução/Youtube)

Mesmo que o 737 MAX seja liberado para voar no final de setembro, ainda levará muitas semanas ou meses até que as companhias aéreas retomem as atividades com a aeronave. A frota aterrada precisa ser atualizada e pilotos precisam passar por treinamentos em simuladores de voo antes pilotar o jato com as correções de segurança.

Crise sem fim

A paralisação do 737 MAX levou a Boeing a pior crise em seus mais de 100 anos de história. Maior exportador de produtos manufaturados dos EUA, a fabricante com sede em Chicago vem acumulando perdas bilionárias desde o aterramento da aeronave e teve sua credibilidade seriamente abalada, com a qualidade e certificações de seus produtos questionadas.

Com a pandemia do novo coronavírus, a situação da empresa norte-americana ficou evidentemente ainda mais delicada. No sábado (25/4), a Boeing cancelou o acordo de joint venture com Embraer, justificando que a empresa brasileira “não atendeu as condições necessárias” para concluir a negociação.

O avanço do coronavírus pelo mundo forçou a paralisação de mais de 60% de toda frota global de jatos comerciais, segundo dados da Cirium, causando a maior crise na história da aviação. Prevendo um longo período de baixa demanda, companhias aéreas estão cortando custos para sobrevier e já começaram a cancelar pedidos de aeronaves. O modelo mais afetado até o momento é o 737 MAX, com mais de 300 desistências, incluindo 34 cancelamentos da Gol.

Um dos sete Boeing 737 Max recebidos pela Gol e que estão parados desde março de 2019 (Gol)

O que a está altura deveria ser o avião mais vendido do mundo virou uma enorme dor de cabeça para a Boeing e os clientes do 737 MAX, que encomendaram mais de 5.000 unidades da aeronave. Com a demanda de transporte aéreo esmagada pela pandemia, somada a forte queda no preço do petróleo, companhias aéreas vão passar um longo período afastadas das mesas de negociação e dificilmente devem se arriscar em comprar novos aviões, mesmo que eles sejam mais eficientes.

A situação será ainda complicada para o MAX, que além de seguir proibido de voar com passageiros agora também carrega um estigma negativo que pode perdurar por muito tempo após a crise do coronavírus e o abalo nas finanças e moral da Boeing.

Veja mais: Bolsonaro afirma que poderá negociar venda da Embraer com outra empresa

 

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