A Embraer deixará o controle da Tempest, sua subsidiária de cibersegurança, após um acordo para combinar a empresa com a Vision Cybersecurity, controlada pela gestora de investimentos SPX Capital.

A operação, divulgada nesta quinta-feira (3) pela imprensa especializada em economia e negócios, será realizada principalmente por meio de uma troca de ações. A SPX será a maior acionista e controladora da companhia resultante, enquanto a Embraer permanecerá como acionista relevante e continuará como cliente.

A nova empresa, ainda sem nome definido, terá receita anual superior a R$ 700 milhões, cerca de 900 funcionários e mais de 600 clientes corporativos. Os termos da troca de ações e as participações que cada acionista terá não foram divulgados.

A conclusão do negócio depende de aprovações regulatórias, incluindo a do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Embraer chegou a 100% da Tempest em 2024

Fundada em Recife em 2000, a Tempest atua com serviços e tecnologias de segurança digital, incluindo prevenção e resposta a ataques, monitoramento de ameaças, proteção de sistemas e consultoria.

A Embraer começou a investir na empresa em 2015 e assumiu seu controle em 2020, quando ampliou a aposta em cibersegurança como uma área estratégica para suas atividades de defesa, aeroespacial e proteção de infraestruturas críticas.

P600 AEW
P600 AEW

Em maio de 2024, a Embraer Defesa e Segurança Participações adquiriu a totalidade da Coqueiro, empresa que detinha 23,4% da Tempest. Com a operação, a fabricante passou a deter 100% da companhia de cibersegurança.

O novo acordo com a SPX altera essa estrutura. Embora deixe de controlar diretamente a Tempest, a Embraer continuará participando do negócio como acionista da empresa combinada.

SPX será controladora

A Vision Cybersecurity foi criada a partir de operações da ISH Tecnologia e passou ao controle da SPX no início de 2026. A gestora anunciou na ocasião um investimento de até R$ 400 milhões para desenvolver a companhia e buscar oportunidades de consolidação no setor.

Vision e Tempest atuam em segmentos semelhantes, mas com perfis de clientes diferentes. A Tempest tem maior presença entre grandes corporações, enquanto a Vision concentra sua atuação em empresas de médio porte. Segundo os executivos envolvidos na operação, há pouca sobreposição entre as duas carteiras.

André Fleury, atual CEO da Vision, será o CEO da companhia combinada. João Lins, que comanda a Tempest, assumirá a vice-presidência de tecnologia e inovação.

Inicialmente, as marcas Vision e Tempest serão mantidas, assim como as operações em Recife, Vitória e São Paulo. A estratégia prevê consolidar a atuação no Brasil antes de buscar expansão na América Latina e na América do Norte, inclusive por meio de possíveis aquisições.