O jato militar argentino Pampa foi desenvolvido a partir do Dassault-Dornier Alpha-Jet (Esteban Vermaasen)

A Argentina está passando pelo que já é considerado a quarentena mais longa e severa do mundo contra o coronavírus, mas isso não está impendendo a indústria aeronáutica do país de buscar novos negócios no exterior. Em entrevista recente ao site Pucará Defensa, a presidente da Fabrica Argentina de Aviones (FAdeA), Mirta Iriondo, revelou que os produtos da fabricante interessam às forças aéreas da Etiópia e dos Emirados Árabes Unidos (EAU).

O interesse dos etíopes é no Pampa III, jato de treinamento avançado e ataque leve, o avião mais avançado já desenvolvido na Argentina. Já os árabes miram no Pucará, bimotor turboélice de ataque que tem uma longa ficha de serviço com a Força Aérea Argentina (FAA), incluindo participações em combates na Guerra das Malvinas, em 1982, travada entre argentinos e o Reino Unido.

“Ainda são conversas muito preliminares. E este é um ano muito difícil para organizar a produção e torná-la eficiente. Mas tivemos conversas que podem gerar frutos. No entanto, se quisermos convidar os pilotos das forças aéreas interessadas para virem à Argentina testar o avião, com tudo isso (a pandemia e restrições de viagem) fica muito complicado”, disse Mirta, que é a primeira mulher a ocupar o cargo de presidente da FAdeA.

Em outubro do ano passado, a FAdeA “ressuscitou” o Pucará dois meses após a FAA anunciar a aposentadoria da aeronave, que voa na Argentina desde 1975. O aparelho passou por um processo completo de modernização e ganhou o nome “Pucará Fénix”.

Questionada sobre as intenções do árabes em relação ao Pucará, um modelo fora de linha, a presidente da FAdeA deu uma resposta curta, mas que pode indicar o futuro do clássico avião argentino.

O primeiro voo do Pucará foi realizado em 20 de agosto de 1969, quando a Embraer dava seus primeiros passos na indústria aeronáutica com o Bandeirante (Chris Lofting)

“Eles (os árabes) disseram que estavam interessados, é tudo o que falaram. Falaram de produção, falaram de muitos aviões, que valem a pena. Isso vai depender do acordo a ser feito com a Força Aérea (dos EAU). Esperamos que no próximo ano, quando o Pucará Fénix puder voar, iremos a todos esses países. E claro, um país com recursos para investir na produção será bem-vindo”, afirmou Mirta.

Veja mais: Conheças as “flechas argentinas”, os primeiros jatos sul-americanos