Exército Brasileiro quer voar com as próprias asas

Corporação busca aeronave de asa fixa para não depender da FAB em operações aéreas
O Cessna Caravan é um dos aviões que interessam ao Exército Brasileiro (FAB)
O Cessna Caravan é um dos aviões que interessam ao Exército Brasileiro (FAB)
O Cessna Caravan é um dos aviões que interessam ao Exército Brasileiro (FAB)
O Cessna Caravan é um dos aviões que interessam ao Exército Brasileiro (FAB)

O Exército Brasileiro (EB) também voa, mas atualmente faz isso por conta própria somente com helicópteros, com modelos como o Pantera e o Caracal. Se alguma operação exigir uma aeronave de asa fixa, a corporação precisa coordenar a ação com a Força Aérea Brasileira (FAB), até pouco tempo a única “dona” dos aviões militares a disposição no Brasil.

Em contato com a reportagem, o Centro de Comunicação do Exército (CCOMSEx) revelou que a corporação sente a necessidade de aeronaves “com características que contribuam para operar no ambiente amazônico, suprindo as unidades militares mais afastadas e isoladas”, citando o exemplo dos Pelotões Especiais de Fronteira (PEF).

“Há, portanto, necessidade de serem (aeronaves) rústicas e com versatilidade para pousos em diferentes tipos de pistas, tanto em comprimento quanto em tipo de solo. Outra vertente necessária é o apoio para os lançamentos de militares paraquedistas”, revelou o CCOMSEx.

Aviões da mira do Exército

A aquisição de aviões faz parte do Plano Estratégico do Exército 2016-2019, elaborado em 2014, e prevê a criação de pelo menos uma unidade aérea até 2019. E os oficiais do EB já estão de olho em alguns modelos no mercado.

O Twin Otter é um projeto consagrado, desenvolvido pela De Havilland (Viking Air)
O Twin Otter é um projeto consagrado, desenvolvido pela De Havilland (Viking Air)

O Exército confirmou ao Airway que já estudou as seguintes opções: Vulcan Air Observer, fabricado na Itália, Cessna Caravan, dos EUA, e o Viking Air Twin Otter, produzido no Canadá.

Como apurou o Airway, dessas três opções analisadas pelo EB, às que mais agradam são o Cessna Caravan, aeronave que também voa com a FAB, e o Twin Otter, que conta com um longa lista de clientes militares no mundo todo, em especial na América do Sul.

O Observer com seu nariz transparente pode ser utilizado em missões de busca e vigilância (Vulcan Air)
O Observer com seu nariz transparente pode ser utilizado em missões de busca e vigilância (Vulcan Air)

“Potência militares, como Estados Unidos e França, possuem aviação de asa fixa em suas forças terrestres. Todos os principais exércitos sul-americanos também contam com este tipo de aeronave, normalmente reservadas às missões de ligação e observação, transporte e lançamento de tropas paraquedistas. O Exército Bolivariano (da Venezuela), por exemplo, utiliza aviões desde a década de 1980. Já o Exército Brasileiro não opera com aeronaves de asa fixa, porque esse papel tem sido exercido pela FAB”, acrescentou o EB.

O Cessna Caravan voa com a FAB desde o final dos anos 1980 (FAB)
O Cessna Caravan voa com a Força Aérea Brasileira desde o final dos anos 1980 (FAB)

Exército sem asas

Com a criação da FAB, em 1941, os inventários de aeronaves do Exército e da Marinha do Brasil (MB) foram repassados a força aérea, que teria a exclusividade desse meio até 1965. Nesse ano a Marinha conseguiu a liberação para utilizar helicópteros no porta-aviões NAe Minas Gerais, enquanto os aviões embarcados continuaram sob comando da FAB – a força aérea pousava no porta-aviões da MB com o patrulheiro Grumman P-16 Tracker.

Em 1998, a Marinha recuperou o direito de voar com aviões, mesmo ano em que recebeu os caças A-4 Skyhawk (AF-1), para operarem embarcados no NAe São Paulo.

Já o EB demorou mais ainda para voltar a voar. Em 1986, foi criado o 1º Batalhão de Aviação do Exército e os primeiros helicópteros (Esquilo e Pantera) entraram em operação três anos depois. A “força aérea” do Exército conta atualmente com cerca de 80 aeronaves de asas rotativas.

A frota de helicópteros do Exército conta com cerca de 80 aeronaves (EB)
A frota de helicópteros do Exército Brasileiro conta atualmente com cerca de 80 aeronaves (EB)

Os principais modelos da frota atual do EB são o Sikorsky UH-60 Black Hawk e o H225 Caracal, helicóptero da Airbus produzido pela Helibras. O Exército também opera o drone de vigilância FT-100 Horus, desenvolvido no Brasil pela FT-Sistemas.

“O EB está aberto para receber propostas para conhecer o que existe no mercado (de aeronaves de asa fixa) e buscar o melhor custo-benefício para atender as nossas necessidades”, concluiu o CCOMSEx.

Nota do editor: O Exército foi a primeira força militar brasileira que voou, de balão

Veja mais: O que aconteceu com o porta-aviões do Brasil?

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  1. Vou começar com o dito popular comum entre nós: “Nem tudo o que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil”. Não vou aqui tentar discutir o mérito se o Exército deve ter seus próprios aviões ou não. Essa deve ser uma estratégia de governo, tendo em vista a segurança nacional em primeiro lugar. Em seguida deve ser considerada a gestão dos deveres constitucionais, e consequentes necessidades para cumpri-los. Mas voltando à lição dos EUA. Estamos perdendo uma excelente oportunidade de desenvolvermos a nossa própria solução, com os recursos e conhecimentos que temos “em casa”. Resumindo, porque não se contrata a EMBRAER para desenvolver esse produto, em vez de adquirirmos aviões no exterior?

  2. A Embraer teve uma aeronave muito boa para este fim: EMB-110. Certamente eles podem fazer versão moderna para atender a operação do exército!

  3. Tenho a impressão que ocorre uma guerra de vaidades dentro do Ministério da Defesa, onde cada força, se mostrando incapaz de trabalharem em conjunto, procuram se tornar uma pequena representação das três.

  4. No Brasil, antes da criação Arma Aérea em 1941, o Exército e a Marinha eram os precursores do uso de aeronaves para Observação. Lembro ainda que na Revolução Constitucionalista de 32, usaram-se aviões da Força Pública de SP (atual PM), Correio Aéreo e do AeC de SP por parte das Forças Rebeldes.

  5. O EB deve buscar e comprar aeronaves da indústria brasileira. E, se vai usá-los principalmente na Amazônia deve ser do tipo Catalina. Tanto pousa na terra quanto nas águas amazônicas.

  6. Aviões de patrulha até que ajudam. Mas a Lei do Abate, tão pedida e exigida, foi anulada pelos traficantes. Trazem a droga até bem perto da fronteira e atravessam-na a pé, a cavalo, ou veículos. O que na verdade a Amazônia precisa é de muitos veículos de patrulha fluviais, hidro deslizadores (terrenos pantanosos) isto aos montes. Resta saber se com o Brasil em crise comporta tais gatos, ou terá de conviver com o fato de ter fronteiras terrestres e marítimas, das mais difíceis, ou talvez a mais difícil de se controlar, do mundo inteiro. Aliado a isto, uma política educacional e saúde mental prevenirá o consumo.Na verdade, as drogas substituem medicamentos e política pública de saúde mental.

  7. O pais aos frangalhos e o exercito querendo aumentar mais ainda a conta. É brincadeira. Se a aeronáutica tem os aviões e faz o serviço para que mais.

  8. O nosso glorioso exército precisa sim de operações aéreas para atender as fronteiras com mais agilidade. Concordo plenamente que a EMBRAER deva desenvolver uma aeronave para o o exército.
    Avante Brasil

    Alex Rosa
    Sgt da reserva.

    Ribeirão Preto – SP

  9. Como assim? Só para aumentar as despesas.
    Para isso, será necessário + um coronel para comandar, + auxiliares (Um tenente coronel + Capitão + Sub-Tenente + Sagentos + 4 cabos e 5 Soldados), + viatura + uma nova sala para esse diretoria isso só para controle administrativo.

    Onde fica a integração das forças?

  10. Não devemos importar aviões. Isso significaria importar mãos de obra e componentes e ficar consignado aos fornecedores e seus jogos políticos.
    Temos várias montadoras que poderão adaptar às demandas dessa força ou projeta-los.Isso significa melhor logística ,manutenção e uso de moeda local.

  11. Os Estados Unidos, agora mandam no País. Querem acabar, também com a Embraer. Alguém tem dúvida que a compra vai ser nos Estados Unidos????

  12. FATOS:

    1) Cada Força tem sua missão e sua vocação, o EB não quer aeronaves para patrulha ou ataque. Isso é missão da FAB. O EB precisa de aeronaves de transporte para apoio à força terrestre.
    2) A EMBRAER deixou de fabricar aviões do porte que o EB necessita;
    3) KC-390 é muito grande e caro para apoiar os pelotões de fronteira com pequenas pistas de pouso.
    4) Voar é caro! Não temos dinheiro para mantermos os aviões da FAB. Como criar uma aviação de asa fixa para o EB.

    Mas a necessidade do EB é justa!

  13. isto tem tudo prá dar merda, prá que aeronáutica se o exercito quer voar? Cada um no seu quadrado, eles que façam ações conjuntas e deiem de inventar moda!

  14. Acorda Brasil … estamos na era dos Drones que fazem monitoramento noturno,diurno e combate com custo 7 vezes menor que um avião e com autonomia de voo superior a 24 horas. A inteligência em “combates cirúrgicos” será o próximo passo para a evolução aéreo espacial armamentista.

  15. Lembrando que no Brasil, além da Embraer, existem outros fabricantes de aeronaves de asas fixas de pequeno porte com capacidade de desenvolver estes aparelhos com qualidade.

  16. Concordo plenamente, a EMBRAER pode fabricar aviões perfeitamente capaz de suprir nossas necessidades, esquisito isso não?

  17. Como sempre no Brasil todo mundo já pensa com a cabeça do estado protetor.

    A Embraer deve sim comparecer, mas para concorrer como qualquer outra. Tem que comprar aviões de melhor custo-benefício. Se for da Embraer, nota 10! Se não for, que melhore até o próximo pregão.

  18. A Embraer consegue resolver esta questão e desenvolver uma aeronave para atender as demandas do E.B.. Só precisamos saber se o Brasil terá dinheiro para custear o desenvolvimento de uma nova aeronave. O projeto do KC-390 está atrasado devido aos atrasos dos repasses do Governo Federal.

  19. Ótima ideia ,mas porque não utilizar aviões da Embraer já existente ou desenvolver um projeto focado na demanda do exercito?

  20. Por que os Tucanos não servem? Porque são nacionais? Tem gente querendo ganhar $$$ importando? Alguém pode esclarecer?

  21. O EXÉRCITO tem como sua missão em TERRA, nas fronteiras e não “vigiar” AÉREO como a AERONÁUTICA. A INFANTARIA teria que fazer exercícios de FRONTEIRA inibindo o CONTRABANDO de ARMAS e DROGAS (aos montes) para o territórios BRASILEIROS.

  22. Penso que um bimotor seja bastante conveniente numa região onde as distâncias são enormes, por uma questão de segurança. O Twin Otter é uma excelente opção, já tendo sido aprovado em diversas condições mundialmente, com boa capacidade de carga, exigência de pista relativamente curta e rústica, como grande parte dos aeródromos da região norte. Não creio que caiba o desenvolvimento de uma aeronave para uma demanda tão reduzida, a Embraer atua em nichos de mercado diferentes.

  23. Fiquei feliz em ler, todos os comentários acima. Temos sim essa condição de construir, vários modelos que supra a necessidade do Exército.

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