Familiares das 62 vítimas do voo 2283 da Voepass preparam uma ação coletiva de responsabilidade civil que deverá ser apresentada após a conclusão das investigações da Polícia Federal e do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). A iniciativa foi revelada pelo site g1 e não substitui as ações individuais de indenização já em andamento.

Representantes da associação que reúne os familiares tiveram acesso nesta semana à transcrição das conversas registradas na cabine do ATR 72-500 e a detalhes do laudo técnico elaborado pela Polícia Federal. Segundo os advogados da entidade, a expectativa é que o inquérito policial seja concluído nas próximas semanas e encaminhado ao Ministério Público Federal.

O ATR 72-500 caiu em 9 de agosto de 2024 durante o voo 2283 entre Cascavel (PR) e São Paulo (Guarulhos). As 62 pessoas a bordo morreram no acidente, o mais grave da aviação comercial brasileira desde 2007.

VoePass ATR 72 before crash (Social media)
VoePass ATR 72 before crash (Social media)

O relatório preliminar divulgado pelo Cenipa não apontou uma causa para a queda, mas confirmou que a aeronave voava em uma região com condições severas para formação de gelo. A investigação também identificou registros de falhas relacionadas ao sistema de degelo ao longo da vida operacional do avião, embora o órgão tenha ressaltado que somente o relatório final poderá estabelecer os fatores que contribuíram para o acidente.

A tragédia acelerou a deterioração financeira e operacional da companhia. Após intensificar a fiscalização da empresa, a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) suspendeu as operações da Passaredo Transportes Aéreos, principal empresa do Grupo Voepass, em março de 2025 por falhas consideradas graves em seus sistemas de controle de manutenção e segurança operacional.

O ATR 72 da VoePass que caiu em 9 de agosto (IndiaEcho/CC)
O ATR 72 da VoePass que caiu em 9 de agosto (IndiaEcho/CC)

Em junho de 2025, a agência cassou definitivamente o Certificado de Operador Aéreo (COA) da Passaredo, encerrando a autorização para realizar voos comerciais. A empresa já havia ingressado em recuperação judicial e, desde então, deixou de operar seus voos.

Enquanto a Polícia Federal apura possíveis responsabilidades criminais, o relatório final do Cenipa permanece em elaboração. Diferentemente do inquérito policial, a investigação técnica do órgão tem como objetivo identificar os fatores que contribuíram para o acidente e formular recomendações de segurança para evitar ocorrências semelhantes.