A Flybondi segue sem operações regulares quase quatro semanas após seu último voo, enquanto relatos na Argentina apontam para uma possível reestruturação que pode eventualmente substituir a marca da low-cost pela OCA Air.
A companhia não opera desde 6 de agosto, embora seu site tenha retomado a venda de passagens para voos a partir de 10 de setembro. A malha inicialmente disponível para setembro é significativamente menor do que a rede anterior da Flybondi, com oferta restrita a poucos destinos domésticos.
A paralisação prolongada ocorre após meses de graves dificuldades operacionais e financeiras que deixaram grande parte da frota da Flybondi indisponível e resultaram em milhares de cancelamentos.
A companhia suspendeu temporariamente os voos no início de julho após uma disputa sobre fornecimento de combustível com a estatal argentina YPF. As operações foram retomadas em 14 de julho com quatro aeronaves, mas a recuperação durou apenas algumas semanas antes de os voos serem novamente interrompidos em 6 de agosto.
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A autoridade de aviação civil argentina, ANAC, permitiu que a Flybondi continuasse operando após analisar um plano apresentado pela companhia. O órgão regulador afirmou, na ocasião, que não identificou condições que comprometessem a segurança operacional, embora tenha aberto processos administrativos relativos a mais de 20 cancelamentos em junho e mais de 100 em julho.

OCA Air pode ser sucessora
Nesse contexto, aumentam os relatos na Argentina que vinculam o futuro da Flybondi à OCA, uma das maiores empresas de logística e serviços postais do país.
Ambas as empresas são controladas pela COC Global Enterprise, grupo de investimentos liderado pelo empresário argentino Leonardo Scatturice. O grupo assumiu o controle da Flybondi em 2025 e, posteriormente, adquiriu a OCA.
O jornal La Nación noticiou em agosto que a Flybondi se preparava para uma reestruturação judicial e estudava a possibilidade de ingressar no processo junto com a OCA, sob o conceito jurídico argentino de grupo econômico.
O jornal também relatou discussões sobre a OCA Air, nome que surgiu como possível sucessora da operação da Flybondi. Não houve anúncio formal confirmando que a Flybondi deixará de existir ou que sua operação de passageiros será transferida para uma companhia aérea com a marca OCA Air.
A ligação entre as empresas, no entanto, vai além da especulação sobre mudança de nome. O controlador comum já discutiu anteriormente a combinação das capacidades aéreas da Flybondi com a rede logística da OCA, incluindo transporte aéreo de cargas e entregas de última milha.
A Flybondi também negou, no início deste ano, que pretendesse abandonar o transporte de passageiros para se tornar exclusivamente uma companhia cargueira.

Colapso da frota
A incerteza segue uma contração dramática na capacidade da Flybondi de operar sua malha regular.
No início de 2026, a companhia descrevia uma frota de 15 aeronaves, sendo 14 Boeing 737-800 e um Airbus A320, atendendo 17 destinos domésticos além de rotas internacionais.
Em junho, porém, a Flybondi chegou a operar com apenas uma aeronave disponível em alguns dias. O La Nación informou que 11 aeronaves estavam paradas devido a problemas de manutenção e contratos de leasing, e que a companhia realizou apenas quatro voos em 2 de junho.
Entre junho de 2025 e maio de 2026, a Flybondi acumulou mais de 2.500 cancelamentos, afetando aproximadamente 350 mil passageiros, segundo dados do jornal argentino.
Os problemas também atingiram as operações internacionais. A ANAC brasileira restringiu a venda de passagens da Flybondi em diversas rotas no fim de julho, após a companhia cancelar 79% dos voos programados para o Brasil entre 1º e 27 de julho.
As restrições iniciais afetaram os voos para Florianópolis, Maceió e Salvador, sendo posteriormente estendidas para o Rio de Janeiro/Galeão.

Tentativa de retorno em setembro
O site da Flybondi voltou ao ar em 23 de agosto, após cerca de uma semana fora, com passagens novamente disponíveis para viagens a partir de 10 de setembro.
A malha de setembro inicialmente previa voos de Buenos Aires para Bariloche, Córdoba, Mendoza e Puerto Iguazú. Outros destinos apareceram para datas posteriores, incluindo serviços previstos para retornar em novembro.
Isso faz do dia 10 de setembro o primeiro indicativo prático de que a Flybondi pode retomar operações sob sua estrutura atual. A venda de passagens, por si só, não comprova que a companhia restabeleceu aeronaves, financiamento e relações com fornecedores necessários para operar a malha.
A Flybondi foi fundada em 2016 e iniciou operações em janeiro de 2018 como a primeira ultra-low-cost da Argentina. Sua rápida expansão a tornou a segunda maior companhia aérea doméstica do país, atrás apenas da Aerolíneas Argentinas e, antes da crise atual, havia desenvolvido uma rede internacional concentrada principalmente no Brasil.
A companhia mudou de controle em 2025, quando a COC Global Enterprise assumiu o comando do fundo de private equity Cartesian Capital Group. A aquisição posterior da OCA colocou uma companhia aérea e uma empresa de logística nacional sob o mesmo grupo controlador, criando a estrutura da qual surgiu o ainda não confirmado projeto OCA Air.
