A companhia aérea argentina de baixo custo Flybondi retomou os voos regulares de passageiros nesta semana, justamente quando seu novo acionista majoritário anunciou planos para revisar uma possível ação judicial contra antigos executivos por suspeita de fraude e irregularidades financeiras.
Um dia após restabelecer os serviços comerciais, o acionista majoritário COC Global Enterprise afirmou ter identificado o que classificou como discrepâncias significativas entre a situação financeira reportada pela companhia e a real. O grupo informou que o processo de due diligence segue em andamento e pode resultar em acusações de fraude contra os executivos que comandaram a empresa até maio.
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A COC assumiu o controle da Flybondi no ano passado e afirma ter investido cerca de US$ 70 milhões desde então. Segundo a empresa, esses recursos não foram suficientes para estabilizar a companhia aérea porque decisões anteriores de negócios teriam sido baseadas em informações imprecisas e práticas operacionais que agora estão sob análise.
A paralisação operacional terminou após a Flybondi fechar um novo acordo com a fornecedora de combustível YPF, permitindo a retomada das entregas de Jet A-1. Os voos regulares foram reiniciados em 14 de julho, embora a companhia siga operando uma malha reduzida, com apenas quatro Boeing 737-800 disponíveis de uma frota de 13 aeronaves. Um quinto avião deve voltar ao serviço nos próximos dias.
A empresa ainda trabalha para reconstruir sua malha. Alguns destinos domésticos seguem indisponíveis até setembro, enquanto rotas internacionais para Florianópolis, Salvador e Maceió continuam com datas de retomada mais adiante no sistema de reservas. Os voos para Rio de Janeiro e Assunção permanecem ativos.
A recuperação da Flybondi vai além da frota. A companhia reduziu o quadro de funcionários para cerca de 750 colaboradores, com parte da equipe ainda em contratos suspensos enquanto as operações são gradualmente retomadas.
A empresa entrou na crise mais recente após anos de instabilidade operacional. No início deste ano, sua participação no mercado doméstico caiu acentuadamente e cancelamentos recorrentes, falta de aeronaves e atrasos enfraqueceram sua posição no setor aéreo argentino.
No primeiro semestre de 2026, a Flybondi foi responsável por quase três quartos de todos os cancelamentos de voos registrados nos aeroportos argentinos.



