A Força Aérea dos Estados Unidos está avaliando a possibilidade de atribuir aos bombardeiros uma função de combate ar-ar, um conceito incomum que pode, futuramente, permitir que aeronaves como o B-21 Raider enfrentem caças inimigos sem operar como caças convencionais.

A proposta aparece em um relatório sobre a futura frota de caças apresentado ao Congresso em outubro. Segundo a Air & Space Forces Magazine, o documento inclui o “desenvolvimento de capacidades ar-ar em bombardeiros” entre as opções analisadas enquanto a Força Aérea estuda como atender às suas necessidades futuras de aeronaves de combate.

A Força Aérea estima que precisará de 1.509 aeronaves com função de caça até 2035, ante 1.288 atualmente. Restrições orçamentárias e de produção, no entanto, podem dificultar o alcance desse número apenas com aeronaves como o F-35A, F-15EX e o futuro F-47.

O uso de bombardeiros em algumas missões ar-ar é uma das alternativas em estudo, ao lado do uso ampliado de Collaborative Combat Aircraft (CCA) e, possivelmente, de outro projeto de caça.

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O relatório não identifica o B-21 como a aeronave que receberia essa capacidade, nem estabelece um programa para armar o Raider com mísseis ar-ar. Mas discussões anteriores da Força Aérea mostram que a instituição já considerou um papel mais amplo para bombardeiros furtivos em missões de superioridade aérea.

Northrop Grumman B-21 Raider 2026 (USAF)
Northrop Grumman B-21 Raider 2026 (USAF)

Não se trata de um caça B-21

Essa missão seria fundamentalmente diferente de usar o B-21 como caça. O Raider é um bombardeiro furtivo de grande porte, subsônico, e não foi projetado para a velocidade, aceleração e manobrabilidade associadas ao combate aéreo tradicional.

Armas de longo alcance e sensores em rede, porém, separam cada vez mais a aeronave que detecta o alvo daquela que lança o armamento.

Assim, um bombardeiro poderia atuar como plataforma furtiva de lançamento de armas, recebendo informações de alvos de caças, CCAs, sensores aerotransportados ou outras plataformas e disparando mísseis ar-ar sem precisar se aproximar de um caça inimigo para o combate próximo.

O conceito aproveitaria características já centrais ao B-21: longo alcance, baixa observabilidade e grande capacidade interna de armamentos. Em vez de transportar apenas algumas armas ar-ar como um caça furtivo, um bombardeiro poderia funcionar como arsenal aéreo, embora a carga útil e a capacidade do compartimento interno do B-21 permaneçam classificadas.

B-21 Raider (NG)
B-21 Raider (NG)

A Força Aérea também já estudou armas ar-ar de alcance muito maior. Um pedido recente de informações buscou conceitos capazes de atingir alvos a pelo menos 1.000 milhas náuticas, ou cerca de 1.850 km. Uma arma dessa classe mudaria radicalmente a relação entre a velocidade da aeronave lançadora e a distância em que o engajamento pode começar.

Missão conjunta com outros aviões

O conceito também se encaixa na tendência da Força Aérea de adotar redes de combate distribuídas. Um F-47, F-35, CCA ou outro sensor poderia detectar e rastrear uma aeronave enquanto um bombardeiro posicionado em outro ponto forneceria o armamento.

Isso permitiria ao B-21 contribuir para a superioridade aérea sem necessariamente usar seus próprios sensores para localizar o alvo ou se expor ao se aproximar dele.

Os CCAs podem tornar o arranjo ainda mais flexível. Autoridades do Global Strike Command da Força Aérea já discutiram a possibilidade de aeronaves colaborativas de longo alcance acompanharem bombardeiros, ampliando suas capacidades de detecção, comunicação e defesa em espaço aéreo contestado.

A mesma arquitetura também pode oferecer proteção contra aeronaves não tripuladas e outras ameaças aéreas. Em vez de depender exclusivamente da furtividade para evitar a interceptação, futuros bombardeiros podem contar com armas capazes de destruir ameaças que se aproximem da formação.

Drone YFQ-44 dispara míssil ar-ar
Drone YFQ-44 dispara míssil ar-ar | USAF

A ideia não é totalmente nova. As Forças Armadas dos EUA já analisaram conceitos de “avião arsenal”, nos quais uma grande aeronave transporta grande quantidade de armamentos enquanto outras plataformas fornecem informações de alvos. Um bombardeiro furtivo acrescentaria a capacidade de levar esse arsenal consideravelmente mais próximo de áreas defendidas.

A Força Aérea não revelou quais bombardeiros poderiam ser usados para a capacidade ar-ar proposta, quais armas transportariam ou se o conceito avançará para um programa de aquisição. O B-21 ainda está entrando em serviço como peça central da futura frota de bombardeiros estratégicos dos EUA, enquanto o B-52J deve permanecer em operação por décadas.