A General Atomics Aeronautical Systems revelou o drone Wildfire, uma nova aeronave não tripulada desenvolvida que poderá ser uma alternativa para a Força Aérea dos EUA substituir o famoso MQ-9A Reaper.

A aeronave é a proposta da empresa para o programa Massed Modular Aircraft (MMA), uma iniciativa conduzida pela Força Aérea em parceria com a Defense Innovation Unit. Segundo a Força Aérea, o programa ajudará a definir os requisitos para a aeronave que sucederá o MQ-9.

A General Atomics ainda não foi escolhida para fornecer esse substituto, mas sua posição como fabricante do MQ-9 e de outras aeronaves da família Predator confere ao Wildfire uma ligação direta com a demanda. A empresa afirma que pode utilizar sua infraestrutura de produção já existente para colocar a nova aeronave em operação mais rapidamente do que o previsto originalmente pela Força Aérea.

O Wildfire mantém algumas características familiares do Reaper, como a asa de grande envergadura e a hélice propulsora traseira, mas foi projetado com prioridades diferentes. A General Atomics promete maior capacidade de carga e alcance do que o MQ-9A, com custo de aquisição substancialmente menor.

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A Força Aérea deseja que a aeronave MMA custe cerca de US$ 10 milhões antes da instalação de sensores e outros equipamentos de missão. O requisito prevê capacidade de carga mínima de 2.800 lb (1.270 kg), raio de combate de pelo menos 2.300 nm (4.260 km) com carga de missão e alcance de translado de pelo menos 8.000 nm (14.800 km).

A General Atomics afirma que o Wildfire superará o requisito de 8.000 nm, embora não tenha divulgado dados exatos de alcance, autonomia, velocidade, teto operacional ou dimensões.

Wildfire UAV
Wildfire UAV | GA-ASI

Armamento pesado e operações autônomas

Uma das diferenças mais significativas em relação ao MQ-9A está no armamento que o Wildfire foi projetado para transportar. Segundo a General Atomics, a aeronave poderá operar com dois mísseis AGM-158C Long Range Anti-Ship Missile (LRASM) ou quatro Joint Strike Missile (JSM), além de outros armamentos, sensores e efeitos lançados.

O LRASM é um míssil antinavio de longo alcance derivado da família JASSM da Lockheed Martin. O transporte de dois desses mísseis conferiria ao Wildfire capacidade ofensiva contra alvos fortemente defendidos, a distâncias bem superiores às normalmente associadas às operações do Reaper.

A aeronave também está sendo projetada para um conceito de controle diferente. Em vez de depender de uma estação de controle em solo convencional e do modelo operacional intensivo em pessoal típico do MQ-9, o Wildfire utilizará software de autonomia fornecido pelo governo.

A General Atomics afirma que a tecnologia se baseia em trabalhos realizados para o FQ-42A Collaborative Combat Aircraft e poderá, futuramente, permitir que operadores controlem dezenas de Wildfire de forma colaborativa.

Esse conceito atende ao elemento “massed” do programa da Força Aérea. Em vez de concentrar capacidade em um número reduzido de aeronaves não tripuladas caras, que os comandantes podem relutar em expor a defesas aéreas modernas, a Força Aérea busca aeronaves baratas o suficiente para serem empregadas em grande quantidade e tolerar perdas em combate.

Wildfire UAV
Wildfire UAV | GA-ASI

Perdas em combate aumentam urgência

A necessidade ganhou urgência após perdas substanciais de MQ-9 em operações recentes. Autoridades da Força Aérea afirmaram este mês que a experiência contra o Irã demonstrou a necessidade de acelerar o desenvolvimento de um substituto para o Reaper e reconheceram que o número de aeronaves perdidas tornou-se motivo de preocupação.

O cronograma original do MMA previa um protótipo em escala real em até 21 meses após a assinatura do contrato e 20 aeronaves prontas para missão até o ano fiscal de 2031. A Força Aérea agora avalia se a capacidade operacional pode ser antecipada para cerca de 2029.

A General Atomics afirma que poderia entregar o Wildfire vários anos antes do cronograma original e produzir mais que o dobro da quantidade de aeronaves inicialmente solicitada no mesmo período. A empresa destaca a capacidade industrial desenvolvida ao longo de décadas de produção dos modelos Predator e Reaper, que chegou a cerca de 100 aeronaves não tripuladas por ano em seu auge.

A Força Aérea indicou uma demanda potencial de pelo menos 180 aeronaves MMA, embora o programa ainda esteja na fase de definição de requisitos e desenvolvimento competitivo.

MQ-9 Reaper sobre o Afeganistão (USAF)
MQ-9 Reaper sobre o Afeganistão (USAF)

Papel diferente do MQ-9B

A General Atomics não vê o Wildfire simplesmente substituindo todos os membros da família Reaper. A empresa segue promovendo e desenvolvendo o MQ-9B SkyGuardian e SeaGuardian, modelos maiores voltados para missões que exigem equipamentos mais sofisticados e grande autonomia.

O presidente da empresa, David Alexander, descreveu o MQ-9B como adequado a uma ampla gama de missões especializadas, incluindo guerra antissubmarino e alerta aéreo antecipado. O Wildfire é destinado a um conjunto mais restrito de missões, como inteligência, vigilância, reconhecimento e ataque, com prioridade para menor custo e produção em larga escala.

Essa distinção também separa o Wildfire de uma simples evolução para um “MQ-9C”. O requisito da Força Aérea está centrado em uma aeronave que possa ser adquirida e empregada em quantidade muito maior, aceitando um nível de risco operacional que seria difícil de tolerar em sistemas não tripulados mais caros.

A General Atomics também considera variantes do Wildfire para uso civil e comercial. A empresa afirma que sua capacidade de carga e pontos de fixação reforçados poderiam viabilizar missões de transporte de carga pesada, embora nenhum cliente comercial ou configuração civil específica tenha sido anunciado.