Gol compra a companhia aérea regional MAP

Acordo de R$ 28 milhões assinado com a VoePass envolve o repasse dos 26 slots em Congonhas, mas não os turboélices ATR
(ATR)
Aeronave ATR 42 da MAP (ATR)

Em um movimento que não surpreendeu o mercado, a Gol anunciou a aquisição da companhia aérea regional MAP na terça-feira, 08. A empresa, fundada em 2011 e com atuação principal na região amazônica, havia sido vendida para a VoePass em agosto de 2019.

O acordo de R$ 28 milhões tem como principal atrativo para a Gol os slots no Aeroporto de Congonhas em São Paulo, o mais disputado no país. Os 26 horários de voos, incluindo os pertencentes à VoePass, serão repassados para a atual segunda maior companhia aérea do Brasil.

A Gol não deverá assumirá diretamente os voos na Amazônia nem os sete turboélices ATR operados pela MAP. Segundo comunicado, as rotas a partir de Congonhas serão operadas com jatos Boeing 737-700.

Já as frequências de menor demanda devem ser atendidas por meio de uma parceria existente com a VoePass, que ficará com as aeronaves ATR.

“Ao logo do último ano enfatizamos, consistentemente, que a Gol estava bem-posicionada para o crescimento no ciclo pós-pandêmico, decorrente da prudente gestão financeira e do nosso eficiente modelo operacional, que nos diferenciam no mercado”, disse Paulo Kakinoff, CEO da Gol.

O aeroporto de Congonhas é o mais rentável sob controle da Infraero (Thiago Vinholes)
Gol terá 26 slots extras em Congonhas (Thiago Vinholes)

Acordo sob suspeita

O anúncio de aquisição ocorre meses após rumores sugerirem que a VoePass teria pago a MAP por meio de um repasse financeiro da Gol. A informação surgiu num processo judicial que os ex-sócios da companhia aérea regional movem para receber valores supostamente não pagos no acordo. As empresas negaram as acusações.

A despeito da situação financeira precária à época, a VoePass (então conhecida como Passaredo) fez uma oferta para assumir a MAP dias depois que a ANAC redistribuiu os slots de Congonhas que pertenciam à Avianca Brasil, que estava em processo de falência. Enquanto a VoePass ficou com 14 horários de voo, a MAP recebeu 12 slots.

Paulo Kakinoof, CEO da Gol (GESP)

Consolidação

“Acreditamos que a aquisição da MAP seja, nesse momento, a única oportunidade viável de consolidação racional no mercado de aviação brasileiro. Daqui para frente, continuaremos focados na estratégia de crescimento orgânico, estimulando a demanda para expansão de nossa malha,” acrescentou Kakinoff, sugerindo que a investida da Azul pela LATAM Brasil não deverá prosperar.

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