Os Estados Unidos devem autorizar com a venda de motores General Electric F110 para o caça turco KAAN, segundo a Reuters que cita fontes familiarizadas com o assunto.

O pacote, avaliado em mais de US$ 700 milhões, prevê o fornecimento dos motores para os primeiros lotes de produção da aeronave e deve ser formalmente submetido ao Congresso dos EUA nos próximos dias.

A venda dos motores é um dos componentes externos mais relevantes do programa KAAN, projeto de caça de quinta geração liderado pela Turkish Aerospace (TAI). A aeronave realizou seu primeiro voo em fevereiro de 2024 e deve, futuramente, substituir a frota de caças F-16 da Força Aérea Turca.

Equipado com dois motores GE F110 com pós-combustão, o KAAN é consideravelmente maior que o Lockheed Martin F-35 e foi projetado com características de baixa observabilidade, baias internas de armamentos e aviônicos avançados. O F110 já é utilizado em aeronaves como o F-15EX e diversas versões do F-16.

Integrantes dos governos turco e indonésio celebram encomenda do caça KAAN (MDI)
Integrantes dos governos turco e indonésio celebram encomenda do caça KAAN (MDI)

A TAI planeja iniciar a entrega do primeiro lote de 20 aeronaves de produção para a Força Aérea Turca em 2028. A empresa também trabalha no desenvolvimento de um motor nacional que deverá equipar os próximos blocos de produção.

O KAAN desperta interesse além das fronteiras turcas. A Indonésia assinou um acordo no início deste mês para a futura aquisição do caça, enquanto autoridades turcas já identificaram diversos países do Oriente Médio e da Ásia como potenciais clientes de exportação.

F-16 turco (Jerry Gunner)
F-16 turco (Jerry Gunner)

A decisão dos EUA ocorre após anos de incerteza nas relações de defesa entre Washington e Ancara, desde a exclusão da Turquia do programa F-35 em 2019. Embora a aprovação dos motores favoreça o programa KAAN, não altera o status da Turquia fora do projeto multinacional do caça furtivo.

Nem o Departamento de Estado dos EUA nem o governo turco confirmaram oficialmente a proposta de venda dos motores. A Reuters informou que ainda há objeções no Congresso, embora o governo Trump pretenda seguir com a aprovação.