Pista principal de Congonhas será fechada por 30 dias para reformas (Ricardo Meier)

A Infraero irá aproveitar a redução brutal no movimento de voos em Congonhas para recuperar a pista principal do aeroporto paulista. Para isso, a estatal lançou nesta quarta-feira, 29, uma licitação cuja abertura das propostas está previsto para o dia 21 de maio. A previsão é que os trabalhos sejam realizados num prazo de 30 dias, quando a operação dos voos será transferida para a pista auxiliar.

A obra segue os moldes da executada no ano passado no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, embora Congonhas possua uma infraestrutura maior, que permite a operação de jatos na pista auxiliar. Ainda assim, a decisão sobre a transferência de alguns voo para Guarulhos deve ser tomada apenas após a licitação. Se a quarentena que afeta o país por conta da pandemia do coronavírus se estender por muito tempo, o impacto das obras será bem menor do que se ocorresse em tempos normais, quando o aeroporto recebe um movimento elevado – ele é o segundo em número de passageiros no Brasil atualmente.

Segundo a Infraero, serão alocadas equipes 24 horas por dia, 7 dias por semana, para garantir o cumprimento do prazo de 30 dias para a execução das obras. A pista principal de Congonhas possui 1.940 metros de comprimento e 45 metros de largura e pode receber aeronaves da categoria até 4C, como Boeing 737-800 da Gol, os Airbus A319 e A320 da LATAM e Azul e os Embraer E190 e E195 operados também pela Azul.

Entre os trabalhos que serão executados está a aplicação de uma camada porosa de atrito (CPA), que melhora a performance e a segurança das aeronaves durante os procedimentos de pouso e decolagem em dias de chuva ao propiciar um melhor escoamento da água. No entanto, esse serviço não pode ser realizado em períodos intercalados por não permitir emendas, afirma a estatal.

A reforma de Congonhas já era prevista desde o ano passado, mas o secretário de Aviação Civil, Ronei Glanzmann, afirmou no início do mês que as obras seriam antecipadas para aproveitar a janela de aeroportos vazios.

Silêncio incomum

A última vez que Congonhas teve sua pista principal reformada foi em maio de 2015 e durou 45 dias na primeira fase, além de trabalhos menores que não exigiram seu fechamento. Na época, houve chuvas acima do esperado para o período e as obras atrasaram. A Infraero reduziu o número de slots para 33 horários e programou voos para operarem em Guarulhos.

O cenário cinco anos, no entanto, deve ser bastante incomum. A expectativa é que o contrato seja assinado até o final do semestre e as obras ocorram dentro dentro de um período de 90 dias de vigência, ou seja, em que a empresa selecionada programará a intervenção de um mês.

Atualmente, Congonhas está operando apenas alguns voos e chega a ter dias sem qualquer decolagem. Segundo o jornal Agora, o silêncio incomum tem chamado a atenção dos moradores do entorno, acostumados com as frequentes operações do terminal paulistano.

Inaugurado há mais de 80 anos, Congonhas é hoje o ativo mais importante da Infraero e considerado um dos (senão o) mais lucrativos aeroportos do Brasil. Apesar disso, dispõe de uma infraestrutura precária diante de sua importância. Até antes da crise do coronavírus, o governo federal planejava concedê-lo à iniciativa privada em 2022.

O aeroporto de Congonhas é o mais rentável sob controle da Infraero (Thiago Vinholes)

A pista principal de Congonhas tem 1.940 de comprimento e foi reformada pela última vez em 2015 (Thiago Vinholes)

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