A Otto Aerospace, startup dos EUA, que pretende revolucionar o mercado de aviação executiva, definiu o projeto aerodinâmico do jato executivo Phantom 3500, etapa que permite à empresa iniciar a construção do primeiro protótipo para ensaios em voo e encomendar componentes de longo prazo aos fornecedores.
A revisão preliminar de projeto, concluída no fim de fevereiro no futuro centro administrativo da empresa no Aeroporto Cecil, em Jacksonville, Flórida, confirmou a configuração fundamental da aeronave. Alcance, velocidade, dimensões da cabine, consumo de combustível e peso máximo de decolagem permanecem inalterados em relação ao conceito apresentado em setembro de 2025.
O Phantom 3500 possui um formato de gota e tem asas superfinas já que utiliza aerodinâmica de fluxo laminar natural para reduzir o arrasto. Segundo a Otto, a tecnologia foi comprovada no demonstrador Celera 500L, que voou em 2018 e obteve redução de 59% no arrasto em comparação a aeronaves convencionais de porte semelhante.

No jato de produção, a asa diferenciada foi projetada para manter o fluxo de ar em 85% a 90% das superfícies superior e inferior, aumento expressivo em relação aos menos de 20% típicos de uma asa convencional. O resultado, segundo a Otto, é uma redução de mais de 60% no consumo de combustível.
Apesar do peso máximo de decolagem de 19.000 libras, que o enquadra na categoria de jatos leves sob as regras da Parte 23 da FAA, o Phantom 3500 tem como meta alcance de 3.500 milhas náuticas e teto operacional de 51.000 pés, desempenho de aeronaves maiores.
A cabine foi projetada com piso plano, altura de 1,95 metro, largura de 2,29 metros e volume total de 22,6 metros cúbicos, dimensões comparáveis a jatos supermédios certificados sob o regulamento Part 25. O exterior não possui janelas; câmeras externas transmitem imagens para grandes telas internas, proporcionando visão do exterior.

O congelamento do projeto ocorre após período de testes e ajustes. Ensaios em túnel de vento identificaram separação de fluxo de ar na seção traseira, levando a alterações no volume do estabilizador, posicionamento da empenagem e comprimento da fuselagem traseira. A empresa classificou as mudanças como parte do processo natural para maximizar a cobertura de fluxo laminar.
Compromisso firme para 300 aeronaves
Com a revisão preliminar concluída, a Otto já encomendou o trem de pouso à Mecaer e definiu sua base principal de fornecedores. A Leonardo será responsável pela fuselagem, enquanto a Sonaca fornecerá asa e empenagem.
Os motores FJ44-4QPM serão fornecidos pela Williams International. Para proteção contra gelo, testes com a Cox & Company e a Pennsylvania State University demonstraram que as bordas de ataque das asas não precisarão de mantas elétricas de aquecimento. Em vez disso será adotado o sistema eletromecânico de expulsão de gelo da Cox. A estratégia de proteção contra gelo na empenagem ainda está em avaliação.
O cockpit contará com suíte Garmin G3000 Prime com Autoland nas aeronaves de produção. O fornecedor do interior é a F/List, envolvida desde o início para o desenvolvimento conjunto de soluções personalizadas para a cabine.

A Otto planeja construir quatro protótipos para ensaios em voo. A montagem ocorrerá inicialmente em hangar de 11.600 metros quadrados no Aeroporto Cecil, antiga instalação da Boeing que abrigará a empresa durante a construção do campus definitivo. A escolha por Jacksonville foi viabilizada por pacote de incentivos de quase US$ 500 milhões do estado da Flórida em julho de 2025.
Atualmente, a empresa opera em Fort Worth, Texas, onde já iniciou a fabricação dos primeiros componentes em material composto para o protótipo, mas a transferência total para a Flórida está prevista até o fim do ano.

A Otto está em processo ativo de captação de recursos financeiros. Uma primeira tranche de investidores internos já foi garantida e deve sustentar as operações até o primeiro trimestre de 2028, após o voo inaugural do protótipo número 1, previsto para o fim de 2027.
A empresa recebeu compromisso firme para 300 aeronaves da Flexjet, maior empresa do mundo de compra compartilhada, num negócio avaliado em até US$ 6 bilhões considerando o preço de tabela de US$ 19,5 milhões por unidade. Alguns clientes individuais também já firmaram pedidos, segundo a Otto, que deve abrir oficialmente a lista de encomendas no ano que vem.
