A IndiGo confirmou que está em negociações para um pedido considerável de aeronaves regionais com a Embraer e a ATR. A revelação surge pouco mais de um mês após as primeiras notícias revelarem tratativas entre a maior companhia aérea da Índia e o fabricante brasileiro.
O novo CEO, Willie Walsh, revelou as conversas durante o World Airline Awards 2026, em Londres. Ele afirmou que as aeronaves em análise podem complementar ou substituir os turboélices ATR 72 atualmente utilizados pela IndiGo em rotas regionais domésticas.
A confirmação dá novo peso às negociações inicialmente divulgadas pela Bloomberg em agosto. Na ocasião, fontes próximas às discussões disseram que a IndiGo considerava dezenas de jatos Embraer E2 para substituir os ATR e ampliar a capacidade, mas as conversas eram preliminares e nem a IndiGo nem a Embraer as confirmaram publicamente.
Agora se sabe que a concorrência inclui a ATR, o que pode permitir que a IndiGo permaneça com turboélices em vez de transferir algumas rotas regionais para jatos maiores.
44 turboélices ATR 72 na frota
A IndiGo possui atualmente 44 ATR 72-600, segundo dados do Planespotters. Desses, 36 estão em operação e oito estão parados. A subfrota tem idade média de cerca de seis anos.
As aeronaves são configuradas para 78 passageiros e oferecem à IndiGo um modelo substancialmente menor do que a família Airbus A320, que domina sua operação.

Isso deixa uma grande lacuna de capacidade na frota da companhia. Um Embraer E2 pode ocupar o espaço entre o ATR de 78 assentos e os modelos da família A320 da IndiGo, com mais capacidade, velocidade e alcance do que o turboélice.
Uma aeronave desse tipo também pode oferecer mais assentos em rotas regionais onde a demanda já superou o ATR, sem exigir que a IndiGo utilize um A320, que geralmente é equipadao com 180 lugares contra 136 do E195-E2.
A companhia não revelou qual modelo da Embraer está avaliando nem quantas aeronaves pode adquirir. O E190-E2 e o maior E195-E2 atendem a diferentes segmentos de capacidade, enquanto a ATR atualmente oferece o ATR 72-600 como seu maior modelo de passageiros.
Willie Walsh assumiu em agosto
A decisão sobre a frota regional é um dos temas que Walsh enfrenta logo após assumir o comando da IndiGo.
Ele se tornou CEO em 3 de agosto, sucedendo Pieter Elbers. Walsh foi diretor-geral da Associação Internacional de Transporte Aéreo desde 2021 e deixou a IATA em 31 de julho, poucos dias antes de ingressar na companhia indiana.

O executivo irlandês já comandou a British Airways e, posteriormente, o International Airlines Group, controladora da British Airways, Iberia e Aer Lingus.
A IndiGo também se prepara para uma expansão significativa além de sua tradicional operação de voos curtos e médios. A empresa tem 60 Airbus A350-900 encomendados e planeja transformar Nova Délhi em um grande hub internacional de conexões.
Embraer busca avanço na Índia
Um pedido da IndiGo daria à Embraer seu primeiro grande cliente E2 na Índia. O fabricante busca o mercado indiano há anos e também pretende ampliar sua presença industrial no país.

A Direção Geral de Aviação Civil da Índia validou o E190, E195 e E195-E2 em julho de 2026, enquanto o E175 já tinha aprovação no país. O E190-E2 não foi incluído no anúncio mais recente de certificação.
A Embraer também trabalha com a Adani Defence & Aerospace para instalar uma linha de montagem final do E175 na Índia. O jato menor já conta com um operador local: a Star Air introduziu o E175 em 2023 e também opera jatos regionais ERJ-145.
