A marinha da África do Sul opera um dos modelos mais avançados da classe MEKO, a fragata A-200 SAN (Indian Navy)

A Marinha do Brasil formalizou nesta quinta-feira (5) o contrato de compra para quatro fragatas da “Classe Tamandaré” por R$ 9,1 bilhões. As embarcações militares serão construídas pelo consórcio Águas Azuis, grupo formado pela Embraer, Atech e empresa alemã Thyssenkrupp Marine Systems, com entregas previstas entre 2025 e 2028.

Com a oficialização do programa, o consórcio agora vai passar um ano estudando o projeto antes de iniciar a construção da flotilha. O trabalho será realizado 100% no Brasil, em Itajaí (SC), e os barcos deverão ter até 40% de conteúdo nacional, informou o grupo.

A Thyssenkrupp será a responsável por construir a plataforma das embarcações, enquanto a Embraer vai integrar os sensores e armamentos. A Atech, empresa do Grupo Embraer especializada em engenharia de sistemas para aplicações militares, vai fornecer os equipamentos de comunicação, sonares e equipamentos de controle dos barcos.

As fragatas construídas no Brasil serão modelos derivados da Classe MEKO, família de embarcações militares desenvolvida na Alemanha no início dos anos 1970 e hoje disponível em 15 forças militares de países. O projeto original da embarcação foi criado pelo estaleiro alemão Blonm+Voss, empresa que no passado também construiu aeronaves.

“Essa parceria valida os esforços para expandir nosso portfólio de defesa e segurança além do segmento aeronáutico. Nos últimos anos, adquirimos experiência no desenvolvimento e na integração de sistemas complexos, entre outros, a fim de tornar a Embraer qualificada para atender às necessidades da Marinha do Brasil, além de fortalecer nossa posição como parceiro estratégico do Estado Brasileiro”, disse o CEO da Embraer Defesa & Segurança, Jackson Schneider.

Os termos do contrato também inclui transferência de tecnologia em engenharia naval para fabricação de navios militares e sistemas de gerenciamento de combate e de plataforma, além de apoio logístico durante o ciclo de vida das embarcações. O consórcio entre a Thyssenkrupp e a Embraer Defesa & Segurança também permitirá criar bases para a exportação de produtos de defesa naval a partir do Brasil.

As embarcações mais avançadas são um desejo antigo da Marinha do Brasil para substituir os navios da Classe Niterói, fragatas compradas do Reino Unido na década de 1970 e que já passaram por dois processos de modernização.

As fragatas da Classe Niterói foram introduzidas pela Marinha do Brasil a partir de 1976 (MB)

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