A Marinha dos Estados Unidos assinou um contrato de US$ 5,1 bilhões (cerca de R$ 27 bilhões) para modernizar o porta-aviões USS Harry S. Truman (CVN 75), investimento que visa manter o navio da classe Nimitz operacional por aproximadamente mais 25 anos.
A Newport News Shipbuilding, da HII, recebeu o contrato de US$ 5,10 bilhões, valor que pode chegar a US$ 5,18 bilhões caso todas as opções sejam exercidas. O Truman chegou ao estaleiro da Virgínia em 30 de setembro para iniciar o processo de Reabastecimento e Revisão Complexa (RCOH).
Comissionado em 1998, o porta-aviões nuclear aproxima-se do meio de sua vida útil planejada de 50 anos. O RCOH irá reabastecer seus dois reatores nucleares e incluirá extensos reparos e modernizações em todo o navio.
Os trabalhos vão abranger o sistema de propulsão, sistemas elétricos, sistemas de combate, equipamentos de lançamento e recuperação de aeronaves e outros componentes. Hélices, eixos e lemes também serão removidos para manutenção.
Siga AIRWAY: WhatsApp | Instagram | LinkedIn | Twitter | Facebook
A expectativa é que a revisão mantenha o Truman na frota até o final da década de 2040, prolongando a presença da classe Nimitz enquanto a Marinha introduz gradualmente seu substituto, a classe Gerald R. Ford.

Truman já foi alvo de proposta de aposentadoria antecipada
A decisão de investir mais de US$ 5 bilhões no Truman contrasta com uma proposta feita há apenas sete anos para aposentar o porta-aviões em vez de realizar essa revisão.
A proposta orçamentária do governo dos EUA para o ano fiscal de 2020 previa a desativação do Truman por volta de 2024, aproximadamente na metade de sua vida útil prevista. Pular o RCOH teria evitado o gasto de vários bilhões de dólares e reduzido a frota de porta-aviões.
A proposta enfrentou oposição no Congresso e foi abandonada em 2019. A Marinha então retomou os preparativos para a revisão de meia-vida, com aquisição antecipada de materiais e planejamento financiados nos orçamentos seguintes.
Notícias recentes
O Truman é o oitavo de dez porta-aviões da classe Nimitz. Embora a construção da classe tenha terminado com o USS George H.W. Bush (CVN 77), comissionado em 2009, os navios foram projetados para operar por cerca de cinco décadas.
O RCOH é fundamental para essa longevidade. Cada porta-aviões passa pelo processo uma vez, aproximadamente na metade de sua vida útil, quando os reatores recebem combustível nuclear suficiente para o restante da carreira planejada do navio.

Classe Ford substitui Nimitz de forma gradual
O USS Gerald R. Ford (CVN 78), comissionado em 2017, segue como o único porta-aviões da nova classe atualmente em serviço ativo.
O futuro USS John F. Kennedy (CVN 79), segundo navio da classe Ford, alcançou recentemente a aceitação preliminar e tem entrega prevista para 2027. Sua chegada permitirá à Marinha avançar com a aposentadoria do USS Nimitz (CVN 68), comissionado em 1975 e o porta-aviões mais antigo ainda em serviço nos EUA.
O Truman, no entanto, não está sendo mantido apenas como resposta temporária a eventuais atrasos envolvendo o Kennedy. Seu RCOH está planejado há anos e compromete efetivamente a Marinha a operar porta-aviões das classes Nimitz e Ford lado a lado por décadas.
O USS John C. Stennis (CVN 74) já passa por seu próprio RCOH em Newport News. O Truman será o próximo a passar pelo estaleiro, onde o trabalho deve se estender até o início da década de 2030.
A Marinha opera 11 porta-aviões movidos a energia nuclear. O terceiro navio da classe Ford, o futuro USS Enterprise (CVN 80), está em construção em Newport News, enquanto outros navios da classe substituirão progressivamente os porta-aviões da classe Nimitz à medida que atingirem o fim de suas vidas úteis planejadas.



