A Marinha dos Estados Unidos recebeu de forma preliminar o futuro USS John F. Kennedy (CVN 79), permitindo que marinheiros comecem a operar e testar o segundo porta-aviões da classe Ford enquanto a Huntington Ingalls Industries finaliza os trabalhos restantes a bordo.
O marco é incomum porque o Kennedy ainda não atingiu a entrega contratual. Pelo acordo, a Marinha assume a responsabilidade pela operação do navio enquanto equipes do Newport News Shipbuilding continuam os trabalhos a bordo, com entrega final prevista para a primavera de 2027.
O Kennedy está aproximadamente 99% concluído. Entre os principais trabalhos em andamento estão quatro dos seus 11 Elevadores Avançados de Armamentos, que utilizam tecnologia eletromagnética para transportar munição entre os paióis e o convoo.
Sete elevadores já foram entregues à Marinha. Segundo a força, esses equipamentos já dão acesso a todas as áreas de paióis e são suficientes para iniciar o treinamento da tripulação enquanto os outros quatro seguem em instalação.
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A aceitação preliminar ocorre após os Builder's Trials e Acceptance Trials realizados neste ano. A Marinha informou que a transferência do navio para a Naval Station Norfolk permitirá intensificar o treinamento da tripulação e iniciar testes dos sistemas em ambiente operacional antes da entrega contratual.

Longo caminho até a entrega
O John F. Kennedy era originalmente esperado na frota bem antes. O cronograma de entrega mudou diversas vezes à medida que a Marinha incorporou trabalhos adicionais ao navio e enfrentou atrasos em sistemas principais.
A previsão anterior da Marinha era entregar o navio em julho de 2025. O cronograma atual prevê entrega contratual em março de 2027.
Dois fatores principais contribuíram para o atraso: a conclusão dos Elevadores Avançados de Armamentos e a certificação do Advanced Arresting Gear, sistema utilizado para recuperar aeronaves de asa fixa a bordo.
Ambas as tecnologias foram introduzidas na classe Ford e causaram dificuldades significativas durante o desenvolvimento do primeiro navio, USS Gerald R. Ford (CVN 78).
A Marinha também transferiu propositalmente trabalhos que antes seriam realizados após a entrega para o período de construção do Kennedy. A decisão foi tomada após lições do CVN 78, que exigiu extensos trabalhos pós-entrega antes de atingir capacidade operacional.

Capacidade para F-35C incluída antes da entrega
Uma dessas mudanças envolve o caça F-35C da Lockheed Martin. O Kennedy está sendo finalizado já com as modificações necessárias para operar o F-35C desde o primeiro desdobramento. A Marinha alterou o plano de construção para incorporar essas capacidades antes da entrega, em vez de instalá-las posteriormente.
O Gerald R. Ford não foi entregue com o mesmo nível de integração do F-35C e ainda não operou o caça em missão. Seu atual esquadrão aéreo, o Carrier Air Wing 8, utiliza os Boeing F/A-18E/F Super Hornet como caças de ataque em desdobramentos operacionais.
A diferença não significa que o CVN 78 não possa lançar ou recuperar o F-35C. O Kennedy, porém, recebe desde o início a infraestrutura e os recursos de apoio necessários para embarcar e manter rotineiramente o caça como parte do seu esquadrão aéreo operacional.
O Kennedy também incorpora outras mudanças em relação ao primeiro navio da classe Ford, como o radar Enterprise Air Surveillance.

Porta-aviões de US$ 13 bilhões
O custo estimado de aquisição do CVN 79 subiu para cerca de US$ 13,2 bilhões. O orçamento fiscal de 2026 incluiu mais US$ 150 milhões em recursos para conclusão dos trabalhos no navio.
O Kennedy foi batizado em dezembro de 2019 e realizou as primeiras provas de mar em janeiro de 2026. Os Acceptance Trials vieram em seguida, quando Marinha e estaleiro testaram sistemas de propulsão, elétricos, de navegação e outros.
O porta-aviões é o segundo da classe Ford, que introduz sistemas eletromagnéticos de lançamento e recuperação de aeronaves, novos elevadores de armamentos, convoo redesenhado e maior capacidade de geração elétrica em relação à classe Nimitz.
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O CVN 79 substituirá futuramente o USS Nimitz (CVN 68), primeiro navio da classe anterior, na Frota do Pacífico. O Kennedy deverá ser baseado na Naval Base Kitsap-Bremerton, no estado de Washington.
A Marinha ainda não anunciou publicamente qual esquadrão aéreo fará o primeiro desdobramento operacional do Kennedy, nem qual esquadrão de F-35C será embarcado.
Antes disso, o Newport News Shipbuilding precisa concluir os trabalhos restantes e a Marinha deve receber o CVN 79 de forma contratual definitiva. O porta-aviões seguirá então para testes, certificação e treinamento da tripulação antes de entrar em serviço operacional.



