NAe São Paulo parado na Ilha das Cobras, onde ficou durante boa parte de sua carreira no Brasil (Alexandre Galante/Poder Naval)

NAe São Paulo parado na Ilha das Cobras, onde ficou durante boa parte de sua carreira no Brasil (Alexandre Galante/Poder Naval)

Desativado oficialmente em 2018 e colocado à venda como sucata, o antigo porta-aviões NAe São Paulo foi reincorporado pela Marinha do Brasil. O leilão do barco, iniciado em dezembro do ano passado e adiado nos últimos meses devido à pandemia de Covid-19, agora está suspenso. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União no começo de agosto.

O processo de venda do porta-aviões estava perto de ser finalizado. Em julho, a Mediterranean Ships Breaking (representada pela TP Abastecimento e Serviços Navais LTDA) foi a única empresa a entrar no pré-credenciamento para adquirir o barco. Outros sete nomes foram descartados por não cumprirem integralmente as exigências do edital.

Segundo os termos da licitação que foi suspensa, os interessados no barco precisavam garantir que ele seja desmontado de maneira segura e sem agredir o meio ambiente. Além disso, quem decide onde o navio será desmontado é a França, que vendeu o porta-aviões usado ao Brasil no ano 2000 e inclui esse detalhe no contrato. A Marinha não revelou o motivo de suspender o processo.

No primeiro semestre, autoridades francesas enviaram uma resposta ao Brasil, indicando que apenas os estaleiros de reciclagem aprovados pela União Europeia eram qualificados para descartar o São Paulo, de acordo com a Shipbreaking Platform, organização que alerta sobre o descarte indevido de navios.

Há temor de que o porta-aviões desativado seja enviado para os desmanches de navio na Índia, que não têm a certificação da UE. O mais famoso fica em Alang, onde velhos navios são picados por homens e máquinas em condições precárias e sem nenhum cuidado com os resíduos poluentes.

O NAe São Paulo é o quinto maior porta-aviões já construído na história, com 266 metros de comprimento (MB)

O NAe São Paulo era um dos maiores porta-aviões do mundo (MB)

De acordo com o site Naval Today, existem aproximadamente 900 toneladas de amianto e grandes quantidades de metais pesados a bordo do porta-aviões São Paulo.

“Se o processo de leilão for retomado, esperamos que Brasil e França mantenham sua decisão inicial e enviem a embarcação para uma instalação aprovada pela UE – qualquer outra coisa seria um escândalo, dadas as notórias condições precárias em que os resíduos tóxicos são gerenciados nas praias do sul da Ásia”, disse Nicola Mulinaris, diretor de comunicação da Shipbreaking Platform.

NAe São Paulo, o maior navio do Brasil

Maior embarcação militar que serviu com a bandeira brasileira, o navio-aeródromo São Paulo chegou às mãos da Marinha em 2002. O navio foi o substituto do NAeL Minas Gerais, que operou no Brasil entre 1960 e 2001, e posteriormente acabou desmontado em Alang.

Quando ainda estava ativo, o São Paulo era o porta-aviões mais antigo do mundo. A embarcação foi lançada ao mar em 1960 e serviu com a marinha da França com o nome FS Foch de 1963 até 2000. Sob a identidade francesa, o navio de 32,8 mil toneladas e 265 metros de comprimento atuou em frentes de combate na África, Oriente Médio e na Europa.

O porta-aviões NAe São Paulo, da Marinha do Brasil, é do tipo CATOBAR (Marinha do Brasil)

Caças AF-1 no convés de voo do NAe São Paulo (Marinha do Brasil)

Com a Marinha do Brasil, no entanto, a embarcação teve uma carreira curta e bastante conturbada, marcada por uma série de problemas mecânicos e acidentes. Por conta desses percalços, o navio passou mais tempo parado do que navegando. Em fevereiro de 2017, após desistir de atualizar o porta-aviões, o comando naval decidiu desativar o NAe São Paulo em definitivo.

Sob o comando da marinha brasileira, o São Paulo permaneceu um total de 206 dias no mar, navegou por 54.024,6 milhas (85.334 km) e realizou 566 catapultagens de aeronaves. A principal aeronave operada na embarcação foi o caça naval AF-1, designação nacional para o McDonnell Douglas A-4 Skyhawk, hoje operados a partir de bases terrestres.

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