Mercado de aviação doméstica encolhe 6% em outubro

“Apesar das tarifas achatadas, o crescimento já não ocorre”, alerta presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (ABEAR)
Os jatos que pousam em Congonhas contam com avançados sistemas de navegação e controle (Marcelo F. De Biasi)
Os jatos que pousam em Congonhas contam com avançados sistemas de navegação e controle (Marcelo F. De Biasi)
A Tam mais uma vez liderou o resultado mensal de voos domésticos e internacionais (Marcelo F. De Biasi)
A Tam mais uma vez liderou o resultado mensal de voos domésticos e internacionais (Marcelo F. De Biasi)

A recessão econômica brasileira, que vem impactando o setor aéreo desde meados de 2014, acertou em cheio a aviação doméstica em outubro. Segundo balanço da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (ABEAR), o mercado de voos nacionais recuou 5,7% no mês passado comparado ao resultado registrado no ano anterior. Como explica a ABEAR, todos os indicadores da operação nacional – oferta, demanda, fator de aproveitamento e volume de passageiros – tiveram variações negativas.

Com a queda do setor, o total de passageiros transportados em outubro caiu 2,4% comparado ao mesmo mês em 2014, informou a ABEAR, somando 8,1 milhões de ocupantes. “Enquanto foi possível estimular a demanda oferecendo tarifas vantajosas, mesmo com custos em alta, isso foi feito. Agora, apesar das tarifas achatadas, o crescimento já não ocorre”, afirma o presidente da ABEAR, Eduardo Sanovicz. Segundo o dirigente, o cenário negativo no mercado brasileiro está durando mais que o imaginado.

“A redução da atividade econômica, a queda do poder de consumo e o avanço do desemprego têm sido consistentes e impedem a recomposição dos preços mantendo o tamanho do mercado”, detalha. “O setor está lidando com a realidade usando as alternativas ao seu alcance. As empresas estão concluindo estratégias que estavam em curso em relação às frotas. Feito isso, a tendência é de encolhimento, como já tem sido indicado pelos anúncios de redução de oferta, corte de frequências e até supressão de destinos”, afirma. “Sem atitudes que corrijam as distorções dos custos de operação no Brasil, essa tendência não deve se alterar”, conclui.

A Gol foi uma das companhias que mais cortou frequências nesse período de resseção (Gol)
A Gol foi uma das companhias que mais cortou frequências nesse período de resseção (Gol)

Briga sempre acirrada entre Gol e Tam

A Tam foi a companhia brasileira que mais transportou passageiros no conturbado mês de outubro passado, com 37,4% das operações. Em seguida veio a Gol, quase empatando, com 35,1% de participação, a frente de Azul (com 17,2%) e Avianca (10,2%).

Apesar da maré desfavorável no mês passado, o resultado contruibui no acumulado dos 10 meses deste ano, que ainda é 1,7% maior que o de 2014. O único momento de avanço em 2015 aconteceu no 1º trimestre do ano em razão de vendas feitas ainda em 2014, quando o ambiente de consumo ainda não estava tão degradado.

Até outubro deste ano, as companhias membros da ABEAR transportaram 79,1 milhões de passageiros em voos domésticos, cifra 1,6% superior em relação a 2014.

Azul cresce em voos internacionais

Os voos internacionais da companhias da ABEAR segue registrando um crescimento expressivo decorrente do início das operações da Azul em dezembro de 2014. São, portanto, diferentes as base de comparação. Vale notar, ainda, que as empresas associadas respondem apenas 30% desse mercado, o que limita as análises. O Brasil recebe voos internacionais de mais 41 companhias estrangeiras. Essas considerações justificam o aparente contrassenso em relação ao desempenho da aviação doméstica.

Os jatos Airbus A330 da Azul foram atualizados recentemente (Thiago Vinholes)
Os jatos Airbus A330 da Azul foram atualizados recentemente (Thiago Vinholes)

Em outubro, a oferta internacional das empresas brasileiras foi expandida em 18,2% sobre o mesmo mês do ano anterior. A demanda cresceu em um patamar inferior, de 15,5%. O número de viagens internacionais realizadas nas companhias brasileiras foi próximo de 640 mil em outubro, um crescimento de 14,3%.

A Tam também repetiu a liderança no setor de viagens internacionais entre as companhias brasileiras, com 80,7% de participação entre as associadas da ABEAR. Em seguida aparecem a Gol, com 12,4%, e a Azul, que deteve 6,8% do volume de voos nacionais para outros países.

Nos 10 meses em análise, a oferta internacional tem crescimento de 16,6% e, a demanda, de 14,8%. Já o total de passageiros transportados supera 6,1 milhões, em alta de 15,6% no período.

Cargas aéreas

O mercado doméstico de cargas, mais sensível às variações da atividade econômica nacional do que o negócio de passageiros, teve retração de 14,9% do peso total movimentado, somando 29,8 mil toneladas em outubro. Na operação internacional (feitas as mesmas ressalvas do mercado de passageiros), o total de bens movimentados somou 18,7 mil toneladas, um crescimento de 12,7% sobre outubro de 2014. As estatísticas consideram as operações da Tam Cargo juntamente com as de Avianca, Azul, Gol e Tam.

De janeiro a outubro deste ano foram transportadas 272,6 mil toneladas de carga doméstica (-9,4% em relação a 2014) e 147,8 mil toneladas de carga internacional (+6,1%).

Veja mais: São Paulo concentra 25% da aviação comercial brasileira

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