A Motiva concluiu a venda de sua plataforma de aeroportos para o Grupo Aeroportuario del Sureste (ASUR), do México, em uma operação anunciada em novembro do ano passado e avaliada em R$ 11,5 bilhões. Com o fechamento do negócio, o grupo mexicano assume as participações da antiga CCR em 20 aeroportos, dos quais 17 estão no Brasil.

A conclusão da transação ocorreu na segunda-feira (1º), após o cumprimento das condições previstas no acordo assinado em 18 de novembro de 2025. Entre elas estava a obtenção das aprovações regulatórias necessárias nos países envolvidos.

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A Motiva informou que recebeu R$ 5,187 bilhões pela totalidade de sua participação na Companhia de Participações em Concessões (CPC), após os ajustes previstos para o fechamento. A holding concentra as participações societárias do grupo em seus ativos aeroportuários e passa agora a ser controlada diretamente pela Aeropuerto de Cancún, subsidiária da ASUR.

O valor é ligeiramente superior aos R$ 5 bilhões de equity estabelecidos quando o negócio foi anunciado. Os R$ 11,5 bilhões atribuídos à operação em novembro também consideravam cerca de R$ 6,5 bilhões em dívida líquida relacionada à plataforma aeroportuária.

A venda encerra a presença da Motiva no setor de aeroportos. A empresa, que adotou a atual marca em 2025 em substituição a Grupo CCR, decidiu concentrar sua atuação em concessões de rodovias e sistemas de transporte sobre trilhos no Brasil.

Aeroporto de Navegantes
Aeroporto de Navegantes

17 aeroportos brasileiros

A plataforma transferida para a ASUR inclui os aeroportos Afonso Pena, em Curitiba; Bacacheri; Foz do Iguaçu e Londrina, no Paraná; Navegantes e Joinville, em Santa Catarina; Pelotas, Uruguaiana e Bagé, no Rio Grande do Sul; Goiânia, em Goiás; São Luís e Imperatriz, no Maranhão; Teresina, no Piauí; Petrolina, em Pernambuco; Palmas, no Tocantins; e os aeroportos de Belo Horizonte/Confins e Pampulha, em Minas Gerais.

O Aeroporto Internacional de Belo Horizonte é o maior dos ativos brasileiros envolvidos na operação. O terminal de Confins recebeu 13,3 milhões de passageiros em 2025, seguido por Curitiba, com 6,1 milhões, e Goiânia, com 3,8 milhões.

No exterior, a CPC detém participações nas operações dos aeroportos internacionais Mariscal Sucre, em Quito, no Equador; Juan Santamaría, que atende San José, na Costa Rica; e Curaçao, no Caribe.

Os 20 aeroportos movimentaram mais de 48 milhões de passageiros em 2025, crescimento de 6,1% em relação ao ano anterior. A plataforma também reúne mais de 200 rotas regulares.

Projeção do terminal 4 do aeroporto de Cancún (Divulgação)
Projeção do terminal 4 do aeroporto de Cancún (Divulgação)

A Motiva havia se tornado uma das maiores operadoras privadas de aeroportos do Brasil principalmente após vencer, em 2021, a sexta rodada de concessões aeroportuárias do governo federal. Na ocasião, a então CCR conquistou os blocos Sul e Central, que reuniam 15 aeroportos, entre eles Curitiba, Goiânia, Foz do Iguaçu e Navegantes.

A companhia já estava no segmento desde 2012, quando integrou o consórcio vencedor da concessão de Confins. Sua expansão internacional ocorreu por meio de participações em concessões na América Latina.

ASUR entra no mercado brasileiro

A aquisição representa a entrada da ASUR no setor aeroportuário brasileiro. Antes da transação, o grupo mexicano administrava nove aeroportos em seu país, incluindo Cancún, além de operações na Colômbia e em Porto Rico.

A empresa é uma das principais concessionárias aeroportuárias privadas da América Latina. Seu maior ativo é Cancún, principal porta de entrada aérea para o Caribe mexicano e um dos aeroportos internacionais de maior movimento da região.

Com a compra da plataforma da Motiva, a ASUR acrescenta o Brasil à sua rede e assume uma operação brasileira que havia sido construída em pouco mais de uma década pela CCR. A transferência inclui tanto aeroportos de capitais e destinos turísticos de grande movimento quanto terminais regionais distribuídos por nove estados.