Um Boeing 727-200 usado pela Ecuatoriana nos tempos em que era controlada pela VASP (Alan Wilson)

O nome soa familiar, mas não possui qualquer relação com uma das mais conhecidas companhias aéreas da América do Sul, a Ecuatoriana de Aviácion, maior empresa de aviação do Equador até deixar de voar em 2006.

Iniciativa de empresários do Equador, a Ecuatoriana Airlines foi registrada no Conselho Nacional de Aviação Civil (CNAC) do país sul-americano no final de agosto e pretende lançar serviços a partir do Aeroporto Internacional Mariscal Sucre, em Quito.

Segundo o requerimento enviado à CNAC, a nova empresa aérea planeja atender as cidades de Coca, Cuenca, Esmeraldas, Guayaquil, Loja, Macas, Manta, Quito, Santa Rosa e Tulcán. A frota da nova Ecuatoriana não está definida, mas a companhia está avaliando os turboélices ATR 42-500 e Dash 8-Q200 e os jatos Airbus A319 e A220 e seu concorrente, o Boeing 737 nas variantes 300, 400 ou 500.

O capital social da Ecuatoriana, no entanto, é de apenas US$ 16 mil, dos quais 99% pertencem a um investidor estrangeiro, revelou a imprensa equatoriana – os sócios da empresa são Eduardo Delgado e Ann Martillo.

O Equador tem enfrentado uma grave crise econômica que afetou a aviação comercial duramente. No início do ano, o governo decidiu encerrar as operações da TAME, a companhia aérea estatal, após prejuízos seguidos.

Segundo dados da consultoria OAG, a oferta de assentos semanais em voos domésticos no Equador caiu de 80.000 antes da crise do coronavírus para apenas 13.000 no fim de agosto.

Em 2019, o mercado de aviação do país era dividido pela TAME (33%), Avianca (25%) e LATAM Ecuador (36%). Por essa razão, a nova Ecuatoriana ocuparia a lacuna deixada pela empresa aérea nacional na disputa com duas marcas estrangeiras.

Quase cinco décadas em operação

O renascimento do nome Ecuatoriana tem grande significado para o pequeno país sul-americano. A companhia aérea, fundada em 1957, foi por muitos anos a empresa de bandeira do Equador e chegou a operar widebodies como o DC-10 e o A310.

Privatizada em 1995 após uma grave crise financeira, a Ecuatoriana passou a ser controlada pela brasileira VASP, que também havia sido repassada para a iniciativa privada anos antes. Confrontada com a concorrência da chilena LAN nos anos 2000, a companhia aérea equatoriana acabou suspendendo suas operações em 2006.

A Ecuatoriana chegou a operar widebodies como o A310 e o DC-10 (Eric Johnston)

Veja também: Infraero conclui obra na pista principal de Congonhas