Noventa anos após primeiro voo, trimotor alemão Ju 52 será “ressuscitado”

Um dos maiores clássicos da aviação alemã, Ju 52 modernizado será construído pela empresa suíça Junkers Flugzeugwerke; lançamento é esperado para meados de 2026
Maquete do Ju 52 NG; avião será construído pela empresa suíça Junkers Flugzeugwerke (Reprodução/Aerotelegraph)

Um dos aviões mais emblemáticos do período da Segunda Guerra Mundial, o trimotor alemão Junkers Ju 52 vai ganhar uma versão atualizada com recursos de última geração. A aeronave, cujo primeiro voo completou recentemente 90 anos, será construída pela Junkers Flugzeugwerke, empresa da Suíça especializada na produção de réplicas de antigos modelos da fabricante alemã, da qual herdou o nome.

O avião modernizado, que a empresa suíça chama de Ju 52NG (de Nova Geração), será equipado com aviônicos modernos da Garmin, piloto automático, TCAS I (sistema anticolisão aérea), Alerta de Terreno Classe A e dados meteorológicos de satélites, que possibilitarão voos em condições VFR (voo por regras visuais) e IFR (voo por instrumentos).

A nova geração do Ju 52 também será remotorizada. No lugar dos antigos motores radiais BMW de nove cilindros a gasolina entrarão três blocos V12 turbo movidos a diesel, que serão fornecidos pela fabricante alemã RED Aircraft. Já o design e a estrutura da aeronave permanecerão intocados, pois segundo a Junkers da Suíça essas partes do avião são elementos “comprovados e ótimos”.

Segundo a Junkers Flugzeugwerke, o Ju 52 NG é projetado para transportar 14 passageiros ou seis paletes de carga. O trimotor, indicado pelo fabricante para voos turísticos e até operações regulares para locais remotos, também poderá decolar e pousar em pistas curtas e não pavimentadas, imitando as capacidades do modelos original. A estreia do novo Ju 52 é prevista para 2026.

Clássico alemão

Com mais de 4,8 mil exemplares fabricados, o Ju 52 iniciou sua carreira nos primeiros anos da década de 1930 e serviu também como avião de transporte militar para a Luftwaffe (e também para transportar Adolf Hitler). A produção na Alemanha durou até o final da guerra, em 1945, mas o modelo continuou sendo produzido na França e na Espanha até 1952.

Ju 52 da empresa suíça JU-Air, que oferece voos turísticos; primeira versão do Ju 52 voou em 7 de março de 1930 (JU-Air)

Com configuração de asa baixa, o avião nasceu como um monomotor com propulsor em linha, assim como irmão menor e mais velho, o F13. Logo a Junkers optou por equipá-lo com três motores radiais, dois deles nas asas. Sua fuselagem de alumínio ondulado é um dos seus pontos mais marcantes, solução adotada também pelo rival americano, o Ford Trimotor (este um avião de asa alta).

Ju 52 no Brasil

O trimotor teve um papel importante na aviação brasileira até o final da Segunda Guerra. O maior operador do avião foi o Syndicato Condor, depois rebatizada como Cruzeiro do Sul. Empresa de origem alemã, ela teve oito unidades do Ju 52 em sua frota que acabaram sendo substituídos pelo americano DC-3 quando a companhia mudou seu nome e teve seus executivos alemães afastados.

A Vasp foi outra cliente do avião alemão. Seis unidades operaram por uma década a partir de 1936 (um deles se acidentou em Santos Dumont em 1943). Assim como no caso da Cruzeiro, eles foram aposentados por conta da disponibilidade de muitos aviões dos Estados Unidos usados no conflito. A Varig também chegou a voar com o Junkers, mas com apenas um exemplar entre 1937 e 1942.

Um dos Ju 52 da Vasp, batizado de “Cidade do Rio de Janeiro” (Reprodução)

O último operador conhecido do Junkers no Brasil foi a companhia Aeronorte que teve uma aeronave entre 1950 e 1951. Mais tarde a empresa acabou absorvida pelo consórcio Aerovias Brasil que por sua vez acabou nas mãos da Varig. Alguns deles foram equipados com flutuadores para operar em regiões sem infraestrutura aeroportuária, demonstrando a versatilidade do aparelho.

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  1. O problema, segundo o texto, é que avião não vai voar, pois os motores serão substituídos por blocos, portanto, sem cárter, sem cabeçote, sem pistões e virabrequim, bem como de todas as demais peças indispensáveis ao funcionamento de um motor. Quando será que jornalistas vão aprender que bloco é uma peça, não um sinônimo para motor?

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