O novo porta-aviões JFK deve ser entregue finalizado à Marinha dos EUA em 2022 (Newport News Shipbuilding)

Com o estouro de uma garrafa de champanhe contra o casco, o novo porta-aviões CVN-79 “USS John F. Kennedy” da Marinha dos EUA foi batizado no estaleiro Newport News Shipbuilding, no último sábado (7), em Newport News, no estado da Virgínia.

Carolina Kennedy, filha do presidente assassinado em 1963, fez as honras como madrinha do navio. Essa foi a segunda vez que ela batizou um porta-aviões da marinha norte-americana com o nome de seu pai. O primeiro navio-aeródromo nomeado em homenagem a JFK foi o modelo CV-67 da classe Nimitz, batizado por Carolina quando ainda era criança, em 1967 – o navio foi aposentado em 2007.

A cerimônia marcou um momento importante para o estaleiro de Newport News, o único projetista e construtor de porta-aviões nucleares da Marinha dos EUA. O batismo aconteceu três meses antes do previsto, refletindo o esforço da empresa em busca por eficiência no programa multimilionário da nova classe Gerald R. Ford.

O CVN-79 JFK é a segunda embarcação da classe Ford a ser lançada pelo estaleiro no litoral de Virgínia. A nova embarcação com capacidade para transportar 90 aeronaves custará aos cofres de Washington US$ 11,4 bilhões, uma queda de 13,2% em relação ao primeiro modelo da nova série, o CVN-78 USS Gerald R. Ford, comissionado em 2017 e avaliado em US$ 12,9 bilhões.

Carolina Kennedy foi a madrinha do porta-aviões que homenageia seu pai, assassinado em 1963 (US Navy)

Após o batismo, o navio será transferido da doca seca para um píer. Cerca de 67% da embarcação está concluída e ainda resta muito trabalho e uma série de testes antes que ele possa ser declarado pronto para o combate. A Marinha dos EUA planeja receber o navio em 2022.

“Este navio representará os ideais pelos quais meu pai viveu – coragem, sacrifício e crença na liberdade – e ajudará a tornar realidade sua visão de uma América mais justa e um mundo mais pacífico”, disse Carolina Kennedy. “Estou tão orgulhosa de ser madrinha deste navio. Acima de tudo, espero que ele carregue o espírito de meu pai enquanto navega, a liderança dele em tempos de guerra, a coragem em crise e o compromisso com o trabalho duro e constante da construção da paz.”

Arma suprema dos EUA

Os novo porta-aviões de nova geração dos EUA são relativamente parecidos nas dimensões com os navios hoje em operação: desloca mais de 100 mil toneladas, mas é mais longo (337 metros contra 332 metros da classe Nimitz), largo (78 m contra 76,4 m) e alto (78 m contra 76,8 m), mas é nos detalhes que a classe Ford supera sua antecessora. O convés de voo, por exemplo, é maior graças a uma ilha menor (a torre de controle do navio) e recuada e também ao uso de apenas três elevadores contra quatro das classes antigas.

Com isso, a marinha americana acredita que será possível operar 25% mais voos por dia, tornando a classe os navios da classe Ford ainda mais capazes. Embora a velocidade seja semelhante a dos porta-aviões atuais (cerca de 56 km/h), a nova embarcação utiliza um sistema de propulsão por energia nuclear muito mais poderoso.

Os porta-aviões da classe Ford podem transportar cerca de 75 aeronaves e mais de 5.000 tripulantes (US Navy)

Os porta-aviões da classe Ford são equipados com dois reatores nucleares com capacidade de gerar 600 megawatts de potência, nada menos que o triplo do que a classe Nimitz e o Enterprise (este último precisava de oito reatores para gerar 210 megawatts). A razão para isso está no aumento do consumo de eletricidade a bordo, algo não previsto no projeto original dos navios-aeródromos anteriores. Com o passar dos anos, mais e mais equipamentos eletrônicos foram implementados e isso elevou a necessidade de energia nos porta-aviões modernos.

Mas a nova embarcação é inovadora também em outros aspectos. O que mais tem chamado a atenção é o sistema de catapultas, com tração eletromagnética. Até então, o mecanismo de lançamento dos aviões era realizado por meio de pressão por vapor. No entanto, esse sistema tem algumas desvantagens entre elas não conseguir modular a energia necessária para lançar uma aeronave menor, como por exemplo aeronaves não-tripuladas.

O sistema de lançamento eletromagnético é menor e mais potente, além de mais simples de operar. De quebra, reduz o impacto dos lançamentos na estrutura do navio, mas o desenvolvimento foi difícil e os testes ainda não chegaram a um nível de confiabilidade necessário.

O mesmo pode-se dizer de outro recurso padrão nos navios americanos, o sistema de frenagem por cabos no pouso. O CVN-78 também faz uso de sistemas eletromagnéticos para frear as aeronaves no convés de voo.

Comparativo entre o novo porta-aviões da classe Ford e o veterano Nimitz (Airway)

Comparativo entre o novo porta-aviões da classe Ford e o veterano Nimitz (Airway)

Outras novidades nos porta-aviões da classe Ford é um conjunto de radares e sistema de vigilância que consiste de equipamentos de escaneamento ativo e antenas fixas de menor diâmetro (um dos fatores que fizeram a ‘ilha’ ser menor). Até mesmo uma inédita arma deverá equipar os porta-aviões no futuro, o FEL (Free-Electron Laser), capaz de emitir ondas que explodem pequenos barcos e drones.

A automatização do navio também permitirá uma significativa redução no número de tripulantes. Em vez de mais de 5 mil pessoas, os porta-aviões da classe Ford necessitarão de pouco mais de 4,5 mil tripulantes, entre marinheiros e aviadores.

A Marinha dos EUA ainda tem encomendado mais um porta-aviões da classe Ford, o modelo que será batizado como CVN USS Enterprise e cujo lançamento ao mar é programado para 2027.

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