Primeiro Embraer KC-390 da FAB será exibido no Paris Air Show

Modelo “004” é o primeiro exemplar de série produzido pela Embraer; aeronave será entregue após a feira na França
KC-390 número 004: o primeiro modelo de série será entregue à FAB nas próximas semanas (Thiago Vinholes)
KC-390 “004”: o primeiro modelo de série será entregue à FAB nas próximas semanas (Thiago Vinholes)

Já apresentado nas grandes feiras aeronáuticas pelo mundo como protótipo, o KC-390 agora será apresentado ao mercado como um produto concluído e preparado para receber pedidos. A primeira aeronave de série produzida pela Embraer tem presença confirmada no Paris Air Show, na próxima semana. Após o evento na França, esse mesmo modelo será entregue à Força Aérea Brasileira (FAB), marcando a estreia operacional do maior avião desenvolvido no Brasil.

De acordo com a fabricante, o KC-390 número 004 fará demonstrações aéreas nos dois primeiros dias da feira, que acontece entre os dias 17 e 23 de junho. A Embraer explicou que a aeronave será exibida em Le Bourget com permissão da FAB e após o evento será iniciado o processo de entrega.

Ainda não há uma data definida para a entrega do primeira aeronave da FAB. “Quem vai decidir isso é o cliente. Normalmente, por ser um marco importante, o cliente pode escolher uma data especial”, disse Jackson Schneider, presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança, no início deste mês na sede da Embraer em São José dos Campos.

“A produção da primeira aeronave que será entregue à FAB marca uma importante mudança na dinâmica da Embraer no mercado. O KC-390 é um avião multimissão que tem despertado grande interesse internacional e o Paris Air Show é o evento ideal para exibir a aeronave na configuração que será operada pela FAB, comprovando sua flexibilidade, desempenho e produtividade superiores”, disse Schneider

A FAB encomendou um total de 28 exemplares do KC-390 e a previsão é que todas as aeronaves sejam entregues até 2024. O novo avião multimissão da Embraer vai substituir os antigos C-130 Hercules, em serviço no Brasil desde 1964. O próximo cliente do jato militar brasileiro pode ser a força aérea de Portugal, que negocia a compra de cinco unidades.

“A expectativa para a entrada em serviço é enorme pelo fato da aeronave ser um marco na aviação militar, onde sua modernidade trará uma implementação e aperfeiçoamento na doutrina de emprego desse vetor multimissão, contribuindo sobremaneira para o cumprimento da missão da FAB de controlar, defender e integrar”, concluiu o Tenente-Brigadeiro do Ar Antonio Carlos Moretti Bermudez, Comandante da Aeronáutica.

Produção em dia

A fábrica da Embraer em Gavião Peixoto (SP) trabalha atualmente com uma capacidade para produzir 18 aeronaves por ano. Neste momento, sete unidades correm pelas linhas de montagem, algumas em estágio avançado de montagem e já pintadas com as cores da FAB, como o Airway conferiu no começo de junho.

A linha de montagem final do KC-390 ocupa um hangar com 10.000 m², o maior da Embraer (Embraer)

A unidade em Gavião Peixoto é a linha de montagem final e o centro de testes do KC-390, de onde os aviões finalizados decolam a partir de uma das maiores pistas do mundo, com quase 5 km de comprimento. No passado, o local era uma das opções para pousos alternados do ônibus espacial da NASA e também sediou eventos com carros superesportivos.

A planta no interior de São Paulo produz uma série de componentes do KC-390, mas também recebe outros itens importados da fábrica da Embraer em Évora, em Portugal, e de fabricantes da Argentina (FAdeA) e República Tcheca (Aero Vodochody), países que participam do programa.

O KC-390 recebeu o “Certificado de Tipo” da ANAC em outubro de 2018. A liberação do certificado permite o início da comercialização e início das operações da aeronave no território brasileiro. A aeronave ainda segue em testes com a Embraer e a FAB rumo a “Certificação Militar Final”, que atesta todas as missões militares e capacidades propostas no programa.

Parceria com a Boeing

O KC-390 foi outra parte da fabricante brasileira que entrou no acordo de joint-venture com a Boeing. Além de assumir 80% da Embraer Aviação Comercial e criar a Boeing Brasil Commercial, a empresa norte-americana e a Embraer vão criar uma segunda divisão para promover o jato militar. Nessa parceria, o grupo Boeing fica com 49% do programa e a Embraer, 51%.

Para o CEO da Embraer Defesa & Segurança, a parceria com a Boeing é positiva para impulsionar o KC-390 no mercado. “A aliança com a Boeing nos dá um diferente perfil de negociação para oferecer o produto no mercado e aumentar nossa presença em alguns países e algumas forças aéreas”, comentou o executivo da Embraer no início de junho.

O Hercules do Esquadrão Gordo seguiu para o Peru com 14 militares (FAB)
C-130 do Esquadrão Gordo: Brasil tem cerca de 12 Hercules em serviço (FAB)

As ambições da Embraer para o KC-390 são grandes para os próximos anos. Projetado para substituir os Hercules da FAB, o avião fabricado no Brasil também pode ocupar o lugar do antigo cargueiro norte-americano e outros modelos semelhantes em forças aéreas estrangeiras.

Um estudo de mercado da Embraer sobre o KC-390 mostrou que o segmento mundial de aviões militares multimissão com capacidade para transportar entre 10 e 30 toneladas é composto atualmente por mais de 2.700 aeronaves. Ainda de acordo com a pesquisa, a idade média dessa frota passa dos 30 anos.

“Já o temos de longe o melhor produto da categoria. Ele é mais rápido, tem maior capacidade, menores custos de operação e manutenção, é multimissão, o mesmo avião pode cumprir uma série de missões”, contou Schneider, em relação ao segmento da aviação militar hoje dominado pela Lockheed Martin com o incansável Hercules.

Nota do editor: Uma boa data para celebrar a entrega do KC-390 pode ser o 20 de julho, dia do nascimento de Alberto Santos Dumont.

Veja mais: Terceiro protótipo do caça Gripen E decola na Suécia

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  1. Parabenizo a brasileiríssima Embraer, pela construção desse marco da aviação militar, que será, sem dúvida, uma revolução na indústria de aviões multifuncionais no mundo. 👏👏👏

  2. Tantas empresas aéreas para a Embraer fazer parceria, mas graças à adoração do Temer e Bolsonaro aos EUA foram fechar logo com a Boeing. Uma das poucas indústrias de tecnologia que temos para exportar e já tem o dedo norte americano no meio. Eh Brasil
    Eu ainda sonho te ver grande.

  3. Um avião não precisa estar certificado para ser comercializado (no sentido vender, ou aceitar pedidos – para as entregas e operação pelo cliente, aí sim tem que estar certificado, pois só se emite CAV para avião que já recebeu sua certificação, antes disso ele voa como protótipo ou com um CAARF). O próprio KC é um exemplo disso, assim como o 777X ou o 321XLR, todos estão recebendo pedidos antes de certificados – o texto ficou ambíguo. Certificar e comercializar são coisas independentes. A pista SBGP chegou a ser avaliada pela NASA sim, mas a idéia não foi adiante devido a complexidade da coisa e quantidade de pessoas & material americano que precisaria estar presente num local sensível da indústria brasileira, a própria FAB foi contra na época. Mas, tecnicamente era possível !

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