A Embraer prevê ter capacidade para produzir 10 aeronaves C-390 Millennium por ano no Brasil até 2030, mas o aumento desse ritmo dependerá de grandes campanhas de vendas na Índia e nos Estados Unidos, que poderiam justificar novas linhas de montagem fora do país.

O CEO Francisco Gomes Neto abordou as perspectivas de produção durante a divulgação dos resultados do segundo trimestre da Embraer, na segunda-feira, 10 de agosto, após ser questionado se a crescente carteira de pedidos do C-390 poderia exigir uma produção superior a 10 aeronaves anuais.

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"Uma oportunidade em que estamos trabalhando é com a Índia, e isso nos permitirá implementar uma segunda linha de montagem fora do Brasil e alcançar níveis de produção acima de 10 por ano", afirmou Gomes Neto.

Ele também apontou os Estados Unidos como outro possível local, embora a instalação de uma linha de produção lá dependa da obtenção de um pedido de volume suficiente.

"Outra oportunidade em que estamos trabalhando é com os Estados Unidos, que também nos permitirá, se tudo correr bem e dependendo do tamanho do pedido, implementar uma terceira linha de montagem que possibilitará aumentar ainda mais a produção do KC-390", disse.

Francisco Gomes Neto (Ricardo Stuckert)
Francisco Gomes Neto (Ricardo Stuckert)

Sem essas linhas adicionais, os planos atuais de expansão da Embraer seguem concentrados no Brasil. Gomes Neto afirmou que a empresa espera que suas instalações brasileiras atinjam capacidade anual para 120 a 130 jatos comerciais, cerca de 200 jatos executivos e 10 C-390 até 2030.

A taxa atual de produção do C-390 não foi divulgada. As entregas indicam que a produção segue bem abaixo da capacidade planejada para o final da década, com 15 aeronaves entregues a clientes até agora.

Isso inclui oito aeronaves para o Brasil, quatro para Portugal, duas para a Hungria e uma para a República Tcheca.

Carteira existente já garante anos de produção

A Embraer possui atualmente 62 pedidos ou compromissos anunciados para o C-390 de 12 países, excluindo a Lituânia, que suspendeu seu processo de aquisição até pelo menos 2030.

O Brasil responde por 19 aeronaves, Portugal por seis, Hungria por duas, Holanda por cinco, Áustria por quatro, República Tcheca por duas, Coreia do Sul por três, Uzbequistão por duas, Suécia por quatro, Eslováquia por três, Colômbia por duas e Emirados Árabes Unidos por 10.

Colombia comprou dois C-390 Millennium
Colombia comprou dois C-390 Millennium | Embraer

Com 15 aeronaves já entregues, restam cerca de 47 a serem produzidas desses pedidos e compromissos. Com a capacidade planejada no Brasil de 10 aeronaves por ano, esse volume representaria aproximadamente quatro anos e meio de produção.

O cálculo serve apenas como indicação do tamanho da carteira de pedidos, não como cronograma de entregas. A produção ainda está abaixo de 10 aeronaves anuais, os contratos têm prazos de entrega diferentes e alguns compromissos anunciados ainda não passaram por todas as etapas contratuais.

A Grécia também pode adicionar três C-390. Durante a apresentação de resultados, Gomes Neto confirmou que a potencial aquisição está sendo discutida entre Grécia e Portugal, em um acordo que pode proporcionar prazos de entrega mais curtos.

KC-390 Millennium (Embraer)
KC-390 Millennium (Embraer)

Índia pode mudar a escala do programa

O cenário mudaria consideravelmente caso a Embraer tenha sucesso na Índia.

O programa de Aeronave de Transporte Médio da Força Aérea Indiana pode envolver entre 60 e 80 aeronaves, segundo Gomes Neto. Mesmo no limite inferior, um pedido indiano superaria toda a atual carteira internacional do C-390.

A Embraer assinou um memorando de entendimento com o Mahindra Group e aguarda a publicação do pedido de propostas pela Força Aérea Indiana, prevista para esta semana. As empresas também vêm trabalhando em um plano de localização para o programa.

Um pedido desse porte garantiria o volume necessário para estabelecer uma operação de montagem na Índia, sem exigir que a linha brasileira absorva dezenas de aeronaves adicionais.

Terceiro KC-390 é entregue à Portugal (Embraer)
Terceiro KC-390 é entregue à Portugal (Embraer)

A oportunidade nos EUA é menos definida. A Embraer não mencionou uma quantidade específica de aeronaves durante a apresentação, e Gomes Neto vinculou explicitamente a possibilidade de uma terceira linha de montagem ao tamanho de um eventual contrato.

Por ora, o Brasil segue suficiente para os planos de produção divulgados pela Embraer. Índia e Estados Unidos não seriam apenas fábricas adicionais para a carteira existente; campanhas bem-sucedidas nesses países podem criar o volume de pedidos que torne necessária uma produção acima de 10 C-390 por ano.