Raro caça F-104 Starfighter volta a voar nos EUA

Antigo caça é operado pela Starfighters Aerospace, empresa que realiza uma variedade de missões para clientes governamentais e comerciais
Caça F-104 com registro civil; jato pertence à Starfighters Aerospace
O F-104 pode voar a mais de 2.500 km/h (Starfighters Aerospace)

Uma das aeronaves de combate mais impressionantes do passado, um raro caça F-104 Starfighter voltou a voar nos EUA. O antigo caça com prefixo civil N991SF e apelidado de “Black Beauty” (Beleza Negra) decolou do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, na última terça-feira (26).

O avião pertence à Starfighters Aerospace, empresa que oferece uma variedade de serviços para clientes governamentais e comerciais. Ela também é a dona da única frota ativa de jatos F-104 no mundo, com quatro aeronaves prontas para voar – e outras três em processo de recuperação.

A aeronave que voou nesta semana é um TF-104, versão para dois pilotos. Trata-se de um Starfighter fabricado pela Fiat em 1969 e que foi aposentado pela Força Aérea Italiana há quase 20 anos. A empresa americana ainda possui outros quatro TF-104 italianos (atualmente inativos) e três CF-104, versão do caça fabricada no Canadá pela Canadair.

Diretor de Operações de Voo da Starfighters Aerospace e ex-piloto de F-104 da Força Aérea Italiana, Piercarlo Ciacchi, pilotou a aeronave no dia seguinte ao primeiro teste na Flórida.

“Fiquei extremamente surpreso com o desempenho do avião depois de algum tempo no solo. Ela era muito reativa, precisa em seus controles e ainda assim incrivelmente rápida. O Starfighter ainda é um avião incrível depois de tantos anos!”, comentou Ciacchi, em relato ao Warbirds News.

F-104 Starfighter da Starfighters Aerospace
O F-104 “Black Beauty” foi aposentado pela Força Aérea Italiana há quase 20 anos (Starfighters Aerospace)

O icônico F-104, que fez seu primeiro voo em 1954, ainda é uma plataforma aérea de altíssima performance mesmo após quase 70 anos de sua introdução.

Aposentados do serviço militar há muito tempo, os jatos em serviço comercial nos EUA hoje servem em experimentos de microgravidade, simulações de voo suborbital, lançamento aéreo de microssatélites, teste de qualificação de equipamentos aeronáuticos, entre outras tarefas científicas. A Starfighters também oferece cursos de pilotagem para o F-104.

“O F-104 é uma plataforma aérea notável, capaz de colocar projetos de pesquisa em ambientes de microgravidade, alta altitude, alta velocidade e alto G. Os jatos podem imitar os perfis de subida, descida e voo de veículos espaciais e aeronaves militares de alto desempenho e podem fornecer entre 60 e 90 segundos de microgravidade durante as manobras parabólicas”, explica o site da Starfighters.

“Míssil tripulado”

Desenvolvido originalmente pela Lockheed, o F-104 fez seu voo inaugural em 4 de março de 1954 e logo pulverizou uma série de recordes de velocidade, altitude e tempo de subida. Foi a primeira aeronave produzida em série a alcançar Mach 2 (duas vezes a velocidades do som) e 100.000 pés (30.480 metros) de altitude. Era quase como um foguete espacial, não à toa o jato ganhou o nome “Starfighter” (Caça Estelar, em tradução livre).

As performances do F-104 chamaram a atenção de vários países aliados dos EUA, que compraram grandes lotes do Starfighter. O avião também foi produzido sob licença no Canadá, Alemanha, Itália e Japão, somando 2.578 unidades construídas entre 1954 e 1983.

Protótipo XF-104: primeira versão do Starfighter voou há quase 70 anos (USAF)
Protótipo XF-104: primeira versão do Starfighter voou há quase 70 anos (USAF)

O maior operador militar do F-104 foi a força aérea da Alemanha Ocidental (atual Luftwaffe), que recebeu um total de 770 exemplares, dos quais 178 modelos foram perdidos em acidentes e 115 pilotos morreram. Por conta desse histórico, o Starfighter foi apelidado pelos alemães de Witwenmacher, o “fazedor de viúvas”.

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