Rússia inicia produção de seu primeiro bombardeiro “invisível”

Sonho antigo dos russos, frota de bombardeiros furtivos deve entrar em operação até o final desta década

A hegemonia dos EUA na área dos bombardeiros stealth (aviões “invisíveis” aos radares) está próxima de terminar. Segundo informações da agência TASS, a Rússia iniciou a construção do primeiro protótipo do programa PAK DA (Perspective Aviation Complex for Long-Range Aviation), projeto que deve originar o primeiro bombardeiro furtivo do país.

“A produção dos elementos da estrutura da aeronave será realizada por uma das fábricas da United Aircraft Corporation (UAC); o desenvolvimento da documentação do projeto de trabalho está completo e o envio do material foi iniciado”, disse uma fonte não identificada citada pela agência russa.

Outra fonte disse à TASS que a construção da cabine do avião já está em andamento. “A montagem final de toda a máquina deve ser concluída em 2021”, acrescentou.

O programa PAK DA é executado pela Tupolev Design Bureau, fabricante russa parte do grupo estatal UAC que tradicionalmente é o principal fornecedor de bombardeiros da força aérea da Rússia. O nome definitivo da aeronave ainda não foi definido.

Em dezembro de 2019, o vice-ministro da defesa russo Alexey Krivoruchko disse ao jornal Krasnaya Zvezda que o projeto do avião havia sido aprovado por Moscou e que a Tupolev estava elaborando a documentação do projeto e iniciado a produção de peças e componentes do PAK DA. Já em fevereiro de 2020, Krivoruchko anunciou que o primeiro motor do avião seria testado neste ano.

Entre as poucas informações disponíveis sobre o projeto, sabe-se que o PAK DA usará o conceito de asa voadora, tal como o B-2 Spirit da força aérea dos EUA e hoje o único avião operacional dessa categoria. O novo bombardeiro russo contará com tecnologias e materiais que reduzem as chances dele ser detectado por radares. A aeronave será subsônica e poderá transportar mísseis de cruzeiro atuais e futuros, bombas de precisão (com ogivas convencionais ou nucleares) e armas hipersônicas, além de novos equipamentos de comunicação e de interferência eletrônica.

Corrida invisível

A primeira menção sobre a próxima geração de bombardeiros estratégicos de longo alcance da Rússia remonta ao final da década de 1990, quando foi iniciada a formação dos requisitos para a aeronave. Em dezembro de 2007, a força aérea russa entregou à Tupolev a lista de exigências para a aeronave o financiamento do projeto PAK DA começou no ano seguinte.

Os EUA já estão desenvolvendo a segunda geração dos bombardeiro furtivos de longo alcance (Divulgação)

Como é comum na Rússia, informações sobre novos aviões militares costumam ser raras. Comenta-se que a aeronave é projetada para percorrer distâncias de até 12.000 km e permanecer voando por cerca de 30 horas, o que provavelmente exigiria a capacidade de reabastecimento aéreo. Já a carga bélica do PAK DA é estimada em 30 toneladas. O primeiro voo do aparelho é esperado para meados de 2023, enquanto sua introdução na força aérea deve acontecer somente no final desta década.

De toda forma, um bombardeiro stealh é um sonho antigo dos russos e que daria ao país a possibilidade de rivalizar com os EUA nesse campo, além de reforçar a capacidade de ataque e dissuasão de Moscou, que atualmente tem a disposição os bombardeiros supersônico (mas não stealh) Tu-22 e Tu-160.

A China é outro país que está próximo de apresentar seu próprio bombardeiro invisível, o Xian H-20, que deve ser revelado até o final deste ano. Tal como os russos, os chineses também escondem o jogo sobre os detalhes e capacidade de sua aeronave furtiva.

Concepção artística tenta imaginar o bombardeiro chinês Xian H-20 (Weibo)

Enquanto isso, os EUA caminham para a segunda geração de bombardeiros stealth com o projeto B-21 Raider, desenvolvido pela Northrop-Grumman e que vai substituir os modelos B-1 Lancer e B-2. O primeiro voo da aeronave, inclusive, já tem até data marcada para acontecer: dezembro de 2021.

Veja mais: Produção do novo jato russo IL-96-400M avança durante a pandemia

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