A Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) propôs o fim da proibição de quase 50 anos para voos civis supersônicos sobre terra, substituindo a restrição total por padrões de certificação baseados em ruído, com o objetivo de viabilizar uma nova geração de aeronaves mais rápidas que o som.
A regra atual vigora desde 1973, quando a FAA proibiu aeronaves civis de ultrapassarem a velocidade do som sobre o território continental dos EUA devido aos estrondos sônicos provocados durante o voo supersônico. Na época, os reguladores concluíram que não havia uma forma prática de proteger as comunidades dos fortes choques acústicos gerados quando uma aeronave ultrapassava aproximadamente 1.235 km/h (767 mph) ao nível do mar, ou Mach 1.
A restrição tornou-se um dos maiores obstáculos para o transporte comercial supersônico. Embora o Concorde anglo-francês tenha iniciado operações em 1976, ficou restrito a rotas transoceânicas, já que só podia ultrapassar Mach 1 após deixar o continente.
A aeronave voava rotineiramente a Mach 2 sobre o Atlântico, mas permanecia subsônica sobre terra, o que limitava bastante o número de rotas viáveis.
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Agora, a FAA argumenta que avanços no projeto de aeronaves e nas operações de voo tornaram a regulamentação defasada. Em vez de proibir todos os voos supersônicos sobre terra, a proposta permitiria operações que atendam a novos limites para as ondas de pressão que atingem o solo, substituindo a restrição baseada em velocidade por uma abordagem baseada em desempenho.

Parte dessa confiança vem de anos de pesquisa em tecnologias de baixo estrondo sônico. O demonstrador X-59 da NASA, desenvolvido no âmbito da missão Quesst, foi projetado para remodelar as ondas de choque da aeronave, de modo que as pessoas em solo ouçam apenas um leve baque, em vez do estrondo explosivo tradicionalmente associado ao voo supersônico. Os dados coletados durante a campanha de testes em voo do X-59 devem ajudar os reguladores a estabelecer futuros padrões internacionais para operações supersônicas sobre terra.
A proposta pode beneficiar empresas que desenvolvem novas aeronaves comerciais supersônicas, especialmente a Boom Supersonic, cujo jato Overture foi projetado para voar a Mach 1.7. Embora a expectativa inicial seja de voos supersônicos principalmente sobre oceanos, o fim da proibição nos EUA permitiria que fabricantes buscassem aprovação para operações sobre terra, caso comprovem o atendimento aos requisitos de ruído da FAA.
A FAA ressaltou que a proposta representa apenas a primeira etapa de um longo processo regulatório. Novas etapas de regulamentação ainda serão necessárias antes que aeronaves supersônicas comerciais possam ser totalmente certificadas para operar rotineiramente sobre terra nos Estados Unidos.




