Um Airbus A320 da Aer Lingus que voava de Dublin para Roma foi desviado para uma base aérea militar na França nesta quinta-feira (5) após uma ameaça de bomba, em mais um episódio de uma sequência incomum de alertas contra voos comerciais na Europa.

O voo EI402 transportava 151 passageiros e seis tripulantes quando mudou de rota sobre a França e seguiu para a Base Aérea de Évreux-Fauville, na Normandia. O A320 pousou em segurança e equipes especializadas em explosivos foram mobilizadas para inspecionar a aeronave.

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Dados do AirNav Radar mostram que o avião envolvido é o A320-214 de matrícula EI-DEH. O jato decolou de Dublin às 6h19 GMT e iniciou a descida sobre a França antes de realizar várias mudanças de direção a oeste de Paris e seguir para Évreux.

O gabinete do primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, confirmou que acompanhava a situação. Segundo a imprensa francesa, um caça Rafale também foi acionado para escoltar o Airbus durante a aproximação para a base militar.

Aer Lingus - voo EI402
Aer Lingus - voo EI402 | AirNav Radar

Onda de ameaças na Europa

O caso da Aer Lingus ocorre apenas dois dias depois de pelo menos sete voos comerciais serem alvo de ameaças de bomba em um único dia na Europa. Nenhum explosivo foi encontrado nas aeronaves inspecionadas.

Os alertas de terça-feira atingiram voos da LOT Polish Airlines, SAS, Ryanair e Wizz Air em diferentes países. Houve desvios, interrupções em aeroportos e acionamento de caças militares.

Um dos casos chama atenção pela coincidência com o episódio desta quinta-feira. Outro avião que fazia a rota Dublin–Roma, desta vez da Ryanair, recebeu uma ameaça de bomba e foi escoltado por caças Eurofighter da Força Aérea Italiana. O avião pousou normalmente e nenhum explosivo foi encontrado.

Outro voo da Ryanair, entre Lisboa e Roma, também foi alvo de ameaça. Um Boeing 737 MAX da LOT que seguia de Londres para Varsóvia foi desviado para Modlin, cujo aeroporto chegou a ser fechado temporariamente, enquanto um voo da SAS procedente de Copenhague passou por inspeção depois de pousar em Varsóvia.

Caças Rafale da Força Aérea Francesa
Caças Rafale da Força Aérea Francesa

Na Espanha, outro avião da Ryanair, que voava de Manchester para Múrcia, foi inspecionado após um alerta. A Bulgária também investigou ameaças envolvendo voos com destino a Sófia.

A sequência já havia começado antes. Na segunda-feira (2), um Airbus A321neo da Wizz Air que seguia de Londres para Sófia foi desviado para Budapeste após uma ameaça de bomba. Um caça Gripen da Força Aérea Húngara foi acionado e escoltou o avião até o pouso. Nada suspeito foi encontrado.

Duas semanas antes, em 18 de outubro, dois MiG-29 da Força Aérea Búlgara haviam interceptado um A320 da Austrian Airlines que voava de Tel Aviv para Viena depois de outra ameaça de bomba. O avião desviou para Sófia e também foi liberado após uma inspeção não encontrar explosivos.

Casos podem estar relacionados?

Ainda não está claro se existe relação entre as ameaças. Autoridades que investigam os episódios desta semana afirmaram que não havia evidência imediata de envolvimento de algum Estado e os diferentes países estão trocando informações sobre os casos.

Airbus A321neo Wizz Air
Airbus A321neo Wizz Air | MarcelX42

A concentração de alertas, no entanto, chamou a atenção de especialistas em segurança aérea. Matthew Borie, diretor de inteligência da consultoria Osprey Flight Solutions, disse à Associated Press que as possibilidades incluem desde um efeito de imitação até uma mesma pessoa ou grupo responsável por várias ameaças. Operações híbridas realizadas por atores estatais ou seus apoiadores também estão entre as hipóteses consideradas.

O contexto aumenta a preocupação. Países europeus vêm acusando a Rússia de realizar ações híbridas no continente, que incluem sabotagem, ataques cibernéticos, interferências e incidentes envolvendo infraestrutura. A aviação já apareceu em algumas dessas investigações, inclusive com dispositivos incendiários enviados pela rede europeia de carga aérea.

Até o momento, porém, não há evidências de que as ameaças de bomba contra voos comerciais registradas nesta semana façam parte dessas operações.