A Anduril apresentou o Steelfin, nova família de interceptadores superfície-ar projetada para enfrentar ameaças que vão de drones e mísseis de cruzeiro a armas balísticas e hipersônicas.

O sistema utiliza arquitetura modular baseada em um interceptador terminal comum, acoplado a diferentes propulsores de primeiro estágio. Segundo a Anduril, essa abordagem permitirá que variantes do Steelfin atendam a diferentes alcances e ameaças sem necessidade de projetos de mísseis separados.

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A empresa revelou configurações com propulsores de 10, 18 e 21 polegadas de diâmetro. O estágio superior comum inclui aviônicos, controles de voo e outros componentes essenciais do interceptador, arranjo pensado para simplificar a fabricação e aumentar as taxas de produção.

De acordo com o Breaking Defense, a Anduril busca um custo unitário do Steelfin em torno de um terço do valor do PAC-3 Missile Segment Enhancement (MSE). O número é uma meta interna da empresa, não um preço contratado, e depende da configuração e da escala de produção.

Míssil de Defesa Aérea PAC-3 MSE
Míssil de Defesa Aérea PAC-3 MSE

Além das aeronaves autônomas

O anúncio ocorre poucos dias após a Lockheed Martin apresentar o PAC-3 Edge, seu interceptador de próxima geração proposto para o programa Future Interceptor do Exército dos EUA. O míssil foi projetado para oferecer maior alcance, altitude e manobrabilidade que o PAC-3 MSE, com início dos testes em voo previsto para 2027.

A Anduril também posicionou uma configuração do Steelfin para o requisito do Future Interceptor, o que pode colocar a empresa em concorrência direta com a Lockheed Martin em um segmento de defesa antimísseis tradicionalmente dominado por grandes contratantes do setor.

A empresa afirma que o Steelfin foi desenvolvido para enfrentar uma ampla gama de alvos, permitindo que operadores escolham diferentes integrantes da família conforme a ameaça, em vez de depender de um único interceptador de alto custo para todas as situações.

A Anduril já realizou testes balísticos com veículos representativos do Steelfin. Os testes em voo devem começar em 2027, com previsão de produção em larga escala entre o final de 2028 e início de 2029.

MiG-31K com um míssil hipersônico
MiG-31K com um míssil hipersônico

Concorrência do Future Interceptor

A fabricação é central na proposta. A Anduril pretende produzir o Steelfin em grandes volumes utilizando sua estratégia de manufatura Arsenal, com boa parte do trabalho prevista para a unidade Arsenal-1, em Ohio.

A empresa também ampliou sua capacidade de produção de motores-foguete de propelente sólido, componente crítico para a fabricação de mísseis. A estratégia mais ampla visa reduzir a dependência da limitada capacidade produtiva, que se tornou um gargalo para vários programas de armamentos dos EUA.

O Steelfin amplia a presença da Anduril em um mercado de defesa historicamente liderado por empresas como Lockheed Martin e RTX. Sediada na Califórnia, a Anduril cresceu rapidamente com sistemas autônomos e tem avançado para programas de armamentos cada vez maiores e mais complexos.

Um dos projetos de maior destaque é o YFQ-44A Fury, aeronave de combate autônoma desenvolvida para o programa Collaborative Combat Aircraft (CCA) da Força Aérea dos EUA. A aeronave já iniciou testes em voo enquanto a Anduril disputa espaço na futura frota de aeronaves de combate não tripuladas da força.

A Anduril já participa de outro projeto de interceptador do Exército dos EUA. A empresa trabalha com a Boeing em um interceptador de médio alcance para o programa Integrated Fires Protection Capability (IFPC) Increment 2, fornecendo o motor-foguete de propelente sólido.

O Steelfin leva essa expansão para missões de defesa aérea e antimísseis de maior complexidade, incluindo ameaças balísticas e hipersônicas. Os primeiros testes em voo estão previstos para 2027.