Após 60 anos, Pilatus PC-6 terá produção encerrada

Clássico monomotor de operações em pistas curtas sairá de cena por falta de interessados e também para abrir espaço para o jato executivo PC-24
Pilatus PC-6 Turbo Porter: 60 anos de carreira ininterrupta (Pilatus)
Pilatus PC-6 Turbo Porter: 60 anos de carreira ininterrupta (Pilatus)

Seu desenho parece ter sido criado por uma criança, ele voa a uma velocidade inferior a de alguns carros mais potentes e é um quase desconhecido no Brasil, mas não há como não lamentar o fim do Pilatus PC-6, um dos aviões mais impressionantes já criados. Desenvolvido no final dos anos 50 pela fabricante suíça (mais conhecida como rival da Embraer no mercado de treinadores militares), o Porter e sua versão turbo-hélice Turbo Porter estão saindo de cena.

A Pilatus anunciou nesta semana que a produção do monomotor STOL será encerrada em 2019, exatos 60 anos após o primeiro voo – um dos aviões mais longevos da aviação. A razão tem a ver com a baixa procura e também com o início de produção do jato executivo PC-24, grande esperança de expansão da fabricante suíça. Mas, afinal, o que faz o PC-6 tão especial?

Quando criou o monomotor, a Pilatus mirava o mercado de aviões que pudessem operar em quaisquer condições, incluindo aí pouso em pistas despreparadas e curtas – ou mesmo em locais minimamente planos. Por essa razão, o PC-6 tem um desenho simples, com asa alta de grande área alar e fuselagem feita com materiais que exigem pouca manutenção. Os enormes pneus de baixa pressão do trem de pouso fixo permitem que o aparelho pouse e decole de qualquer local, praticamente.

Mas é no desempenho STOL (Short Takeoff and Landing, ou decolagem e pouso curtos) que o Porter impressiona. Ele é capaz de decolar em trechos de menos de 200 metros de comprimento e pousar num espaço ainda menor: 127 metros. Graças às duas imensas asas e flapes especiais, o PC-6 consegue se manter no ar a somente 96 km/h.

Grande altitude

Por essas qualidades, o PC-6 tem uma carreira versátil, servindo como avião ambulância, fotografia aérea, lançamento de paraquedistas, entre outras funções. Um dos casos mais interessantes a seu respeito é ter batido o recorde de pouso e decolagem em altitude, obtido no Nepal, quando operou a mais de 5.750 metros de altitude. Ele também é um dos aviões usados no aeroporto de Lukla, próximo do monte Everest e conhecido pela curta e inclinada pista de apenas 530 metros.

Apesar da notoriedade, menos de 600 unidades foram fabricadas nesse longo período, uma boa parte deles construída sob licença pela Farchild Hiller nos Estados Unidos. A Pilatus aceitará encomendas do avião até meados do ano que vem. Certamente, suas excepcionais qualidades continuarão a ser exploradas por muito tempo ainda.

Veja também: Pilatus entrega 1.500º turbo-hélice PC-12

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