A produção do A380 será encerrada pela Airbus em 2021 (Airbus)

Proposto como um avião revolucionário para descongestionar grandes hubs e transportar multidões de passageiros por longas distâncias, o A380 também foi sugerido pela Airbus em diferentes versões.

A baixa aceitação do quadrirreator no mercado, forçada por grandes mudanças na economia mundial nos últimos 20 anos, como o aumento nos preços dos combustíveis, levou a Airbus a abandonar os planos de criar variantes do “superjumbo”, cuja produção será encerrada precocemente em 2021.

A380 cargueiro

A primeira variante do A380 sugerida pela Airbus foi um modelo de carga, o A380F. A aeronave era projetada para transportar cerca de 150 toneladas de carga, ultrapassando a capacidade do Boeing 747-8F em quase 10% e ficando atrás apenas do colossal Antonov AN-225.

Os números de desempenho do A380F apresentados pela Airbus animaram as empresas cargueiras DHL e FedEx, que anunciaram pedidos pelo super-cargueiro europeu ainda na década de 1990.

No entanto, havia um grave problema no A380F. Como era muito mais pesado que um Boeing 747, o A380 cargueiro exigiria muito mais combustível para decolar, o que elevaria substancialmente o preço do frete aéreo. Seria um avião superior ao 747-8F, mas com um custo operacional 20% mais alto.

A FedEx planejava comprar 10 cargueiros A380F (Airbus)

Após uma série de atrasos no desenvolvimento do A380, em 2006 a Airbus abandonou o projeto da versão cargueira para focar exclusivamente no modelo de passageiros, que chegaria ao mercado somente em outubro de 2007 com a Singapore Airlines.

Caso o A380F fosse adiante, os modelos de segunda mão que vêm sendo desativados nos últimos meses poderiam ganhar uma nova função convertidos em cargueiros, como acontece com os grandes jatos da Boeing. Em vez disso, os A380 retirados de serviço estão virando sucata.

A Airbus também considerou lançar uma versão “Combi” do A380, aeronave que, a exemplo do Boeing 747-400 Combi, divide o espaço da cabine entre passageiros e cargas.

A380neo e A380plus

Duramente criticado por seus altos custos operacionais, em especial pelo consumo de combustível proibitivo, o A380 também poderia ter evoluído em versões mais eficientes.

Em 2014, Fabrice Bregier, então CEO da Airbus, declarou que a fabricante um dia poderia lançar um A380neo como uma forma de melhorar o produto e reduzir seus custos operacionais, em especial o imenso apetite da aeronave por combustível.

Seguindo a fórmula de outros modelos “neo” da Airbus, como o A320neo e o A330neo, o A380neo era proposto com motores de nova geração e equipado com winglets nas pontas das asas. O uso desses recursos poderia reduzir o consumo de combustível da aeronave em cerca de 4%. A versão aprimorada também poderia transportar 50 passageiros a mais, permitindo que seus operadores gerassem mais lucros com o avião.

Hoje o maior operador do A380 com mais de 100 unidades em serviço, a Emirates Airlines iniciou as discussões para adquirir o A380neo, mas em 2016 abandonou o plano.

Em uma última tentativa de tornar o A380 mais atrativo, a Airbus apresentou em 2017 o A380plus. O projeto apresentava evoluções notáveis para a aeronave, como o aumento do peso de decolagem para 578 toneladas, o que elevaria o alcance do jato em mais 480 km.

Os novos winglets nas asas do A380plus ajudam a reduzir o consumo de combustível em 4% (Airbus)

Os novos winglets nas asas do A380plus ajudariam a reduzir o consumo de combustível em 4% (Airbus)

O A380plus também tinha winglets especiais para reduzir o arrasto aerodinâmico em voo e assim reduzir o consumo de combustível em cerca de 13% por assento, como anunciou a Airbus na época. A cabine da aeronave também seria modificada para receber mais 80 passageiros. Outras promessas do projeto eram os ciclos de manutenção menores, o que permitiria manter o A380 em serviço por mais tempo.

Apesar das mudanças positivas apresentadas nas versões neo e plus, nenhuma companhia aérea se arriscou a investir em novas versões do dispendioso A380, que a essa altura já era um avião condenado pelo mercado.

A380 esticado

Enquanto ainda projetava o A380, um avião capaz para transportar mais de 500 passageiros, a Airbus já pensava em versões ainda maiores da aeronave. Era o caso do A380-200, variante projetada para transportar mais de 600 ocupantes e que mais adiante foi renomeada como A380-900 (o modelo em serviço atualmente é o A380-800).

Em novembro de 2007, o então diretor de operações comerciais da Airbus, John Leahy, confirmou os planos da fabricante de criar uma versão ampliada do A380 com mais espaço para assentos. O modelo teria capacidade para 650 ocupantes na configuração padrão de três classes ou mais de 900 ocupantes caso tivesse apenas classe econômica.

Com quase 80 metros de envergadura, as asas do A380 comportam uma fuselagem muito maior (Airbus)

Com o A380-800 concluído, a Airbus não teria grandes dificuldades para criar o modelo -900, pois as asas do A380 foram projetadas para comportar uma fuselagem muito maior.

A versão ampliada do A380 despertou o interesse de companhias aéreas importantes. O grupo incluia empresas como a Emirates, Air France, Lufthansa, KLM e Cathay Pacific. No entanto, em 2010 a Airbus anunciou que o desenvolvimento do A380-900 seria adiado até a produção do A380-800 se estabilizar, algo que não aconteceu até hoje e nem vai acontecer…

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