A330 da Aerolineas: companhia estatal já voltou a voar enquanto rivais privadas estão no chão (magro_kr/CC)

A gestão do presidente Alberto Fernández continua em sua empreitada de fortalecer a atuação da Aerolineas Argentinas no transporte aéreo do país vizinho. A tradicional empresa aérea estatal retomou seus voos domésticos no mês passado e tem ampliado também sua malha internacional em rotas que também incluem o Brasil. Enquanto isso, as rivais de baixo custo JetSmart e Flybondi continuam inoperantes e à espera de condições mais claras para voltar a voar.

Como mostrado pelo site, o atual governo sinalizou desde o início de seu mandato a intenção de voltar a restringir o mercado de aviação comercial na Argentina, reduzindo a concorrência criada pelo seu antecessor. O ex-presidente Maurico Macri havia desregulamentado o transporte aéreo no país, considerado muito aquém do seu potencial. A medida atraiu companhias estrangeiras e também iniciativas locais como a Flybondi.

O advento da pandemia acabou servindo como argumento para sufocar essa concorrência ao estabelecer a suspensão dos voos comerciais no país de maneira quase sem precedentes em outras partes do mundo. A quarentena se estenderia até setembro, mas acabou postergada para outubro, reduzindo as possibilidades de sobrevivência das empresas privadas.

Ainda assim, JetSmart e Flybondi se prepararam para relançar suas malhas a partir do aeroporto El Palomar, mas o governo argentino decidiu mantê-lo fechado, alegando questões sanitárias envolvendo o distanciamento social.

Segundo o protocolo do governo, Ezeiza é “o único onde medidas e processos foram adaptados de forma a responder à referida exigência em condições de segurança”. Sem El Palomar, a JetSmart anunciou que voltará a voar nesta semana a partir do maior aeroporto de Buenos Aires. Já a Flybondi preferiu entrar na Justiça para reabrir El Palomar, já que, segundo ela, seu modelo de negócio não é viável com as taxas aeroportuárias de Ezeiza.

A Flybondi depende de El Palomar para sua estratégia low cost (Flybondi)

Mandos e desmandos

O uso do modesto aeroporto de El Palomar, que até então era apenas uma base da Força Aérea Argentina, não é unanimidade nem mesmo dentro do governo de Fernández. Segundo o jornal Clarín, o ministro dos Transportes, Mario Meoni, é favorável à manutenção do aeroporto, que também é defendido por prefeitos da região, além de governadores de províncias que apoiam o modelo de baixo custo.

Ainda de acordo com o jornal, a decisão de manter El Palomar fechado coube à agência ORSNA (Organismo Regulador del Sistema Nacional de Aeropuertos), que é controlada pelo mesmo grupo político que está à frente da Aerolineas Argentinas.

A veterana companhia aérea, reestatizada pelo governo Kichner, está perto de concluir o projeto de incorporação da Austral Lineas Aereas. Segundo um cronograma que circula na internet, a previsão é que empresa seja absorvida pela Aerolineas a partir de dezembro. O anúncio da fusão, em maio, foi feito diante das perspectivas de queda na demanda de passageiros. A atual administração optou então por unificar as duas empresas, eliminando a marca “Austral” e também áreas semelhantes que eram mantidas em cada uma delas.

Em outubro, segundo dados da ANAC, foram transportados apenas 8,2 mil passageiros em voos domésticos na Argentina, contra 1,38 milhão no mesmo período de 2019. Aerolineas e Austral responderam por 6,5 mil passageiros enquanto a Flybondi e a JetSmart transportaram 65 e 12 pessoas, respectivamente. De oito companhias aéreas ativas no ano passado restam agora apenas a Aerolineas, Flybondi, JetSmart e a pequena Andes, que está em situação financeira grave. Deixaram de operar, por sua vez, a Avianca, LATAM e Norwegian, todas filiais de grupos estrangeiros.

A partir de dezembro, Aerolineas Argentinas deve incorporar marca “Austral” (magro_kr/CC)

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