Avião que se acidentou no Campo de Marte é um King Air com apenas 10 anos de uso

Aeronave turbo-hélice de uso corporativo foi fabricada em 2008 e estava com os certificados em dia, segundo o Registro Aéreo Brasileiro
Avião King Air C90Gti semelhante ao que se acidentou no Campo de Marte (Wikimedia/Bidgee)
Avião King Air C90Gti semelhante ao que se acidentou no Campo de Marte (Wikimedia/Bidgee)

Um turbo-hélice bimotor King Air C90Gti se acidentou na pista do aeroporto do Campo de Marte, em São Paulo neste domingo (29). O avião executivo havia decolado de Videira em Santa Catarina e teria tentado pousar por algumas vezes sem sucesso quando tentou arremeter e entrou em parafuso caindo uma área ao lado da pista. A aeronave explodiu o com o impacto, como é possível ver no vídeo publicado no Twitter (abaixo) – dos sete ocupantes (capacidade máxima do aparelho é de oito), um morreu, justamente o piloto, que ficou preso nas ferragens.

O Cenipa, órgão de investigação de acidentes da Aeronáutica, irá analisar as causas do acidente. No entanto, é possível notar que o avião parece perder o controle subitamente como se alguma superfície de controle tivesse sido danificada. Nessa fase do voo é pouco comum que o piloto perca o controle dessa forma, exceto em situações em que há ventos de través violentos. Segundo o boletim meteorológico no momento do acidente, os ventos eram de apenas 5,5 km/h e o teto, de 3.650 metros.

O bimotor em questão, o King Air, é fabricado pela Hawker Beechcraft e é um dos mais conhecidos turbo-hélices executivos do mundo. Ele surgiu em meados da década de 60 e desde então mais d e 3 mil unidades foram produzidas. Com o tempo, turbo-hélice acabou sendo modernizado, como era o caso do C90GTi, com cauda convencional, winglets nas pontas das asas para aprimorar sua aerodinâmica e a suíte de aviônicos Proline 21, da Collins.

A aeronave, prefixo PP-SZN, pertencia a Videplast Indústria de Embalagens e foi fabricada em 2008, portanto com apenas dez anos de voo. Seus certificados estavam válidos – o IAM, que verifica a manutenção do avião venceria apenas em 21 de novembro deste ano e o Certificado de Aeronavegabilidade, em novembro de 2023.


Histórico recente

Encravado na Zona Norte de São Paulo, o Campo de Marte possui uma pista de 1.600 metros de comprimento e é usado basicamente por helicópteros e escolas de aviação, além de sediar uma unidade de manutenção da Força Aérea Brasileira. Os voos executivos são mais restritos, mas apesar disso alguns acidentes têm ocorrido com uma certa frequência no local.

Em março de 2016, por exemplo, o ex-presidente da Vale do Rio Doce Roger Agnelli morreu após decolar com seu monomotor Comp Air CA-9 que, embora na categoria experimental, era utilizada como modelo executivo. Em outubro do mesmo ano, um Bandeirulha da FAB saiu da pista ao tentar decolar danificando o trem de pouso, mas sem causar ferimentos aos ocupantes.

Na década passada, em novembro de 2007, um Learjet 35 também caiu após a decolagem vitimando os dois pilotos (não havia passageiros) e oito pessoas no solo.

Apesar de ser um projeto antigo, atualmente o King Air possui um cockpit avançado (Collins)

Mais antigo aeroporto da cidade, o Campo de Marte tem sido alvo de vários projetos que visam fechá-lo ou reduzir seu perímetro a fim de aproveitar sua enorme área. Uma das iniciativas mais recentes é a de criar um parque na porção oeste do terreno e que poderá receber um museu de aviação que assumiria o acervo do Museu da TAM, hoje fechado.

Planta do parque com as áreas de acesso demarcadas (Divulgação)
Projeto para utilizar parte do Campo de Marte (Divulgação)

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luiz antonio picholaro
luiz antonio picholaro
3 anos atrás

Como houve tentativa de pouso anterior, certamente o piloto estava com problemas e deve ter reportado para os controladores de voo. Seria leviano supor quaisquer causas. As investigações mostrarão devidamente as causas e no devido tempo.
Condolencias à familia do piloto e espero que os sobreviventes se recuperem depressa.

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