A Azul contratou uma linha de financiamento de até R$ 2 bilhões destinada exclusivamente ao pagamento de combustível utilizado em seus voos domésticos regulares. A operação tem cobertura do governo federal por meio do Fundo de Garantia à Exportação (FGE).

O acordo foi divulgado pela companhia em fato relevante publicado no sábado (24). A garantia é concedida por meio da Agência Brasileira Gestora de Fundos Garantidores e Garantias (ABGF), empresa pública responsável pela administração de garantias concedidas com recursos da União.

Na prática, o governo não está emprestando diretamente R$ 2 bilhões à Azul. O FGE cobre o risco de crédito da operação, permitindo que a companhia obtenha o financiamento no mercado.

O documento divulgado pela Azul não informa a instituição financeira envolvida, o prazo do empréstimo, as taxas cobradas ou as condições para utilização integral dos R$ 2 bilhões.

E195 da Azul (Azul Linhas Aéreas)
E195 da Azul (Azul Linhas Aéreas)

Financiamento começou a ser discutido em 2025

O uso do FGE para garantir financiamento destinado à compra de querosene de aviação vinha sendo discutido desde 2025. A proposta surgiu em meio às dificuldades financeiras enfrentadas pelas companhias aéreas brasileiras e à busca por mecanismos que permitissem acesso a crédito com custos menores.

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Uma das alternativas analisadas previa linhas garantidas pelo fundo para a compra de combustível, inicialmente com valores que poderiam chegar a R$ 3 bilhões por companhia. O desenho posteriormente discutido pelo governo passou a considerar um limite de R$ 2 bilhões.

A proposta chegou a incluir compromissos relacionados à compra futura de combustível sustentável de aviação (SAF). A disponibilidade limitada do produto no Brasil, entretanto, criou dificuldades para a adoção de algumas das contrapartidas inicialmente consideradas.

A operação agora anunciada pela Azul prevê que os recursos sejam utilizados exclusivamente para pagar combustível adquirido para sua malha doméstica.

A320neo da Azul (Alexandro Dias)
A320neo da Azul (Alexandro Dias)

Combustível pressiona custos das aéreas

O financiamento também chega em um período de forte alta do querosene de aviação. O preço do combustível vendido pela Petrobras acumulou aumento expressivo em 2026, pressionado pela valorização internacional do petróleo e pelas consequências da guerra no Oriente Médio.

A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) estimou em agosto que Azul, GOL e LATAM já haviam desembolsado conjuntamente cerca de R$ 5,2 bilhões além do previsto com combustível neste ano.

Para a Azul, a nova linha também se soma a outros mecanismos de financiamento obtidos durante sua reestruturação financeira. A própria companhia informou que a operação com garantia do FGE já estava contemplada em seu planejamento de longo prazo.

O mecanismo é diferente da linha de R$ 8 bilhões aberta pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) com recursos do Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC). Nesse programa, Azul, GOL, LATAM e Abaeté foram habilitadas a buscar crédito para despesas como combustível, manutenção e salários.