A Azul contratou uma linha de financiamento de até R$ 2 bilhões destinada exclusivamente ao pagamento de combustível utilizado em seus voos domésticos regulares. A operação tem cobertura do governo federal por meio do Fundo de Garantia à Exportação (FGE).
O acordo foi divulgado pela companhia em fato relevante publicado no sábado (24). A garantia é concedida por meio da Agência Brasileira Gestora de Fundos Garantidores e Garantias (ABGF), empresa pública responsável pela administração de garantias concedidas com recursos da União.
Na prática, o governo não está emprestando diretamente R$ 2 bilhões à Azul. O FGE cobre o risco de crédito da operação, permitindo que a companhia obtenha o financiamento no mercado.
O documento divulgado pela Azul não informa a instituição financeira envolvida, o prazo do empréstimo, as taxas cobradas ou as condições para utilização integral dos R$ 2 bilhões.

Financiamento começou a ser discutido em 2025
O uso do FGE para garantir financiamento destinado à compra de querosene de aviação vinha sendo discutido desde 2025. A proposta surgiu em meio às dificuldades financeiras enfrentadas pelas companhias aéreas brasileiras e à busca por mecanismos que permitissem acesso a crédito com custos menores.
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Uma das alternativas analisadas previa linhas garantidas pelo fundo para a compra de combustível, inicialmente com valores que poderiam chegar a R$ 3 bilhões por companhia. O desenho posteriormente discutido pelo governo passou a considerar um limite de R$ 2 bilhões.
A proposta chegou a incluir compromissos relacionados à compra futura de combustível sustentável de aviação (SAF). A disponibilidade limitada do produto no Brasil, entretanto, criou dificuldades para a adoção de algumas das contrapartidas inicialmente consideradas.
A operação agora anunciada pela Azul prevê que os recursos sejam utilizados exclusivamente para pagar combustível adquirido para sua malha doméstica.

Combustível pressiona custos das aéreas
O financiamento também chega em um período de forte alta do querosene de aviação. O preço do combustível vendido pela Petrobras acumulou aumento expressivo em 2026, pressionado pela valorização internacional do petróleo e pelas consequências da guerra no Oriente Médio.
A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) estimou em agosto que Azul, GOL e LATAM já haviam desembolsado conjuntamente cerca de R$ 5,2 bilhões além do previsto com combustível neste ano.
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Para a Azul, a nova linha também se soma a outros mecanismos de financiamento obtidos durante sua reestruturação financeira. A própria companhia informou que a operação com garantia do FGE já estava contemplada em seu planejamento de longo prazo.
O mecanismo é diferente da linha de R$ 8 bilhões aberta pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) com recursos do Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC). Nesse programa, Azul, GOL, LATAM e Abaeté foram habilitadas a buscar crédito para despesas como combustível, manutenção e salários.



