Azul confirma devolução dos A330neo, mas espera por aviões novos
Companhia aérea, que acaba de sair da recuperação judicial, também voltará a receber mais jatos E195-E2 da Embraer
A Azul Linhas Aéreas inicia uma nova etapa após concluir seu processo de recuperação judicial nos Estados Unidos com uma frota operacional de 175 aeronaves e uma estratégia de crescimento mais cautelosa, segundo o CEO John Rodgerson em entrevista coletiva realizada na segunda-feira, 23.
Durante o processo, a companhia devolveu aeronaves mais antigas e com contratos de arrendamento considerados onerosos, especialmente aqueles firmados no período pós-pandemia. Havia casos de jatos de fuselagem estreita com custo superior ao de widebodies, além de aviões parados que continuavam gerando despesas fixas. A reestruturação permitiu simplificar a frota e reduzir compromissos financeiros ligados a esses contratos, segundo ele.
Siga o AIRWAY nas redes: WhatsApp | Telegram | Facebook | LinkedIn | Youtube | Instagram | Twitter
John Rodgerson, CEO da Azul
Com a estrutura ajustada, a Azul mantém seu plano de renovação, incluindo novas entregas de jatos E195-E2 da Embraer, além do recebimento de dois A330-900 ainda este ano, parte de uma encomenda junto à Airbus. Rodgerson admitiu que a atual frota de sete A330neo será devolvida até agosto à Avolon, sua proprietária.
Esses jatos já aparecem no sistema da ANAC como direcionados à GOL Linhas Aéreas, como mostramos na semana passada.
Acordo de codeshare com a American Airlines
A diretriz, segundo ele, é consolidar a base operacional antes de qualquer expansão mais ampla. A empresa pretende ajustar capacidade conforme a demanda, reforçando rotas consideradas estratégicas e preservando a rentabilidade. O foco é manter consistência operacional na malha doméstica e regional, que representa o núcleo do negócio.
E195-E2 de matrícula PS-ADL (Azul Linhas Aéreas)
A Azul também negocia um acordo de codeshare com a American Airlines, nos moldes da parceria já existente com a United Airlines. O avanço da cooperação depende da aprovação, pelo Cade, do investimento de US$ 100 milhões anunciado pela American. A United já obteve sinal verde para aporte no mesmo valor.
Rodgerson descartou a retomada de conversas sobre uma eventual combinação com o Grupo Abra, controlador da Gol. Segundo ele, com a redução do endividamento alcançada no Chapter 11, a companhia não vê necessidade de buscar consolidação para estabilizar suas operações.
Paralelamente, a empresa segue acompanhando a disputa judicial relacionada a um empréstimo de cerca de €90 milhões concedido à TAP Air Portugal, com vencimento neste ano. A questão não altera o planejamento de frota nem a estratégia de rotas neste momento.