Baixas vendas do 787 irão obrigar Boeing a fechar uma das duas fábricas do jato

Aeronave é hoje produzida em Everett e também em sua nova fábrica no estado de Carolina do Sul onde os funcionários não são sindicalizados
Um 787 Dreamliner na fábrica de North Charleston: duas linhas de montagem para produzir seis aviões por mês (Boeing)
Um 787 Dreamliner na fábrica de North Charleston: duas linhas de montagem para produzir seis aviões por mês (Boeing)

Entre tantos problemas que enfrenta, a Boeing terá de tomar uma dura decisão em breve: fechar uma das duas linhas de montagem do jato 787 Dreamliner. Atualmente, o widebody é produzido simultaneamente em Everett, na sua maior fábrica no estado de Washington, e também em North Charleston, na Carolina do Sul, numa instalação inaugurada em 2012 exclusiva para o modelo.

Com um número alto de pedidos até antes da crise, o 787 era produzido num ritmo mensal de 14 aviões, divididos pela metade para cada fábrica. Mas a queda nas encomendas somada à crise provacada pelo surto do coronavírus obrigaram a Boeing a reduzir essa taxa de produção para apenas seis aviões por mês a partir de 2021. Ou seja, está sobrando uma fábrica e ela pode ser Everett.

Mas a escolha não é tão simples quanto parece. Embora a unidade da North Charleston represente um custo inferior para a Boeing por conta de seus funcionários não serem sindicalizados e por isso têm média salarial mais baixa, os clientes da empresa teriam deixado claro que preferem que o 787 seja montado em Washington.

O motivo da rejeição aos Dreamliners da Carolina do Sul seria a baixa qualidade dos aviões montados no site. Meses atrás, relatos de funcionários revelaram que os 787 de Charleston apresentavam deficiências em equipamentos e de acabamento e presença de resíduos descartados em sua montagem.

Maior edifício do mundo em volume

Outro problema no caminho da Boeing é que um dos sindicatos de funcionários, o International Association of Machinists (IAM), tem pressionado para que a fabricante não encerre a produção do 787 em Everett. A entidade representa um número elevado de profissionais e os alertou dias atrás sobre possíveis investidas da fabricante para reduzir salários e modificar contratos, sem falar na eliminação de postos de trabalho. A Boeing também terá de levar conta que se beneficiou da redução de impostos oferecida pelo governo do estado de Washington.

A situação é tão complicada que não será surpresa se a Boeing acabar produzindo alguns 787 na imensa fábrica de Everett, que tem pela frente um futuro um tanto sombrio. Construída em 1967 para acomodar a produção do Jumbo, a unidade possui o maior edifício do mundo em volume, com 13,4 milhões de m³ e área total de 400 mil m².

Se ficar sem o Dreamliner, Everett terá apenas como produto principal o 777, cuja nova geração também não tem acumulado muitos pedidos. Além disso, restam alguns 767 voltados ao mercado de defesa e os últimos 747 cargueiros que serão entregues até 2022.

A gigantesca fábrica da Boeing em Everett: se o 787 sair de lá, sobrará pouco a produzir (Maurice King)

Veja também: Após disputa legal, empresa russa Volga-Dnepr recebe primeiro Boeing 777F

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