Boeing confirma adiamento do 777X e fim da produção do 747

Em relatório de resultados do segundo trimestre, Dave Calhoun, CEO da fabricante, revelou que ritmo de produção será reduzido
A Boeing está produzindo apenas "meio" 747-8 por mês, desde setembro de 2015 (Boeing)
A Boeing está produzindo apenas “meio” 747-8 por mês, desde setembro de 2015 (Boeing)
Boeing 747-8F: últimas unidades serão entregues em 2022, marcando o fim da sua produção (Moonm)

A Boeing confirmou nesta quarta-feira, 29, dois rumores que circulavam no mercado há algumas semanas, ambos negativos. O primeiro é o atraso no cronograma do programa 777X, que agora está previsto para entrar em serviço em 2022, já o segundo é triste para a história da aviação, o fim da produção do 747, o famoso Jumbo.

David Calhoun lamentou o fato em comunicado enviado aos funcionários, mas prometeu que o jato seguirá importante para a empresa. “Diante das perspectivas atuais do mercado, concluiremos a produção do icônico 747 em 2022. Nosso compromisso com o cliente não termina na entrega e continuaremos a apoiar as operações e a manutenção do 747 no futuro”, afirmou.

Já o 777X reflete a desaceleração do mercado de aviões de grande porte. Segundo a Boeing, o ritmo de produção da aeronave, seja da série clássica ou da nova geração, passará a ser de apenas duas unidades mensais em 2021, uma a menos do que antes.

Outro modelo que terá a produção reduzida é o 737 MAX, que ainda não tem prazo para voltar a voar. A aeronave de maior sucesso da Boeing só deve atingir um ritmo de 31 aviões por mês no começo de 2022. O prejuízo com o programa, por sua vez, só aumenta: segundo a empresa, no segundo trimestre foram concedidos descontos e reembolsos de US$ 550 milhões (R$ 2,8 bilhões).

Maior avião bimotor do mundo: entregas do novo Boeing 777-9X começam em 2022 (Boeing)

“Lamentavelmente, o impacto prolongado do COVID-19 causando reduções adicionais em nossas taxas de produção e menor demanda por serviços comerciais significa que teremos que avaliar melhor o tamanho de nossa força de trabalho. Esta é uma notícia difícil e sei que acrescenta incerteza durante um período já desafiador. Tentaremos limitar o impacto sobre nosso pessoal o máximo possível no futuro. E como sempre, nos comunicaremos de maneira aberta, honesta e transparente”, disse Calhoun, que assumiu o lugar de Dennis Muilenburg no final do ano passado.

O prejuízo operacional acumulado no primeiro semestre atingiu US$ 4,3 bilhões para uma receita total de US$ 28,7 bilhões, queda de 26% em relação ao mesmo período de 2019. A Boeing afirma manter uma lista de pedidos pendentes de mais de 4.500 aeronaves no valor de US$ 409 bilhões.

Veja mais: Para TripAdvisor, Azul é a melhor companhia aérea do mundo em 2020

 

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