Versão atualizada bombardeiro supersônico Tupolev Tu-160, o primeiro protótipo do Tu-160M completou neste domingo (2) seu voo inaugural de teste em Kazan, informou a United Aircraft Corporation (UAC), grupo estatal que reúne as principais fabricantes de aeronaves da Rússia.

O primeiro teste com a aeronave ocorreu a uma altitude máxima de 1.500 metros e durou 37 minutos. Durante o voo foram verificados os novos sistemas e equipamentos instalados na aeronave, que segundo a fabricante passou por uma “profunda modernização”.

O Tu-160M possui novos sistemas de defesa e comunicação, além de motores mais potentes e eficientes e compatibilidade com armamentos mais avançados. De acordo com a Tupolev, essas mudanças “expandem significativamente” o desempenho do bombardeiro e suas capacidades de ataque.

A agência russa Interfax afirma que o primeiro Tu-160M será entregue ao ministério da defesa da Rússia em 2021. A produção em série da aeronave atualizada (também chamada de Tu-160M2), porém, deve ser iniciada somente em 2023. Moscou pretende adquirir 50 exemplares da aeronave modernizada para equipar a força aérea russa.

Herança soviética

Surgido na década de 1980, um Tu-160 foi uma espécie de resposta aos Estados Unidos que preparavam anos antes o bombardeiro B-1, mas este quando entrou em operação era uma aeronave diferente do projeto original: em vez de bombardeiro de altitude ele se tornou um avião de ataque em baixa altitude. Os russos, porém, mantiveram o “Blackjack” (como o avião é designado pela OTAN) como um avião de ataque à longa distância com armamento nuclear ou convencional.

A carreira em serviço, no entanto, revelou-se um desastre. Embora tenha voado pela primeira vez em dezembro de 1981, o bombardeiro russo com asas de geometria variável só passou a ser operacional em 1987 e em número muito pequeno, de cerca de duas dezenas de unidades.

O Tu-160 pode voar a mach 2.05, cerca de 2.000 km/h

O Tu-160 pode voar a mach 2.05 e transportar cerca de 40 toneladas de armamentos (Divulgação)

Com o fim da União Soviética em 1991, os Tu-160 estacionados na Ucrânia acabaram no solo e sem condições de voo. Russos e ucranianos passaram a negociar a venda dos exemplares, porém, a intransigência entre eles acabou transformando um exemplar em sucata.

Apenas em 1999, a Rússia voltou a tentar trazer de volta alguns Tu-160, desta vez com sucesso. Oito unidades foram compradas, que se somaram a algumas remanescentes na força aérea a um bombardeiro incompleto que se encontrava em Kazan. Com a finalização de outras fuselagens incompletas, a Rússia passou a contar com cerca de 16 unidades no final da década passada – um dos aviões se acidentou anos antes.

O Tu-160 é até hoje a maior e mais pesada aeronave supersônica (pode alcançar 2.200 km/h) já construída, perdendo apenas para o bombardeiro norte-americano XB-70 Valkyrie, que nunca entrou em operação.

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