A Bombardier e a BAE Systems assinaram um memorando de entendimento para avaliar cooperação em capacidades de aviação de combate de nova geração no Canadá, três meses após o país ingressar no Global Combat Air Programme (GCAP) como seu primeiro observador.
O acordo, anunciado nesta quarta-feira, 28, abrange projeto de aeronaves e sistemas de missão, integração de sistemas, engenharia digital, manufatura avançada, sustentação e segurança.
As duas empresas afirmaram que pretendem desenvolver capacidades que possam apoiar futuros caças desde a fase inicial de projeto até a fabricação e o suporte em serviço, incluindo o que a BAE Systems descreveu como capacidades soberanas de aviação de combate de longo prazo no Canadá e em mercados internacionais.
Nenhuma das empresas vinculou explicitamente o acordo à participação canadense no GCAP, mas a BAE Systems é uma das três principais parceiras industriais do programa, ao lado da italiana Leonardo e da japonesa Mitsubishi Heavy Industries.
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As três empresas criaram a Edgewing, joint venture que atua como contratante principal e autoridade de projeto do caça de nova geração em desenvolvimento pelo Reino Unido, Itália e Japão para entrada em serviço a partir de 2035.

Canadá se aproxima da indústria do GCAP
O Canadá ingressou no GCAP como primeiro país observador em julho. O acordo concede a Ottawa acesso a informações sobre governança, capacidades, estrutura industrial e requisitos de segurança do programa, sem tornar o Canadá um parceiro pleno.
O governo canadense afirmou, à época, que o status de observador permitiria avaliar uma possível participação futura e identificar oportunidades para empresas nacionais no ecossistema emergente de aviação de combate de sexta geração.
A Bombardier é um dos maiores fabricantes aeroespaciais do Canadá e produz no país a família de jatos executivos Global. Sua divisão de defesa tem utilizado cada vez mais essas aeronaves como plataformas para missões militares, incluindo aplicações de inteligência, vigilância e reconhecimento.
O acordo com a BAE Systems pode ampliar essa atuação para o desenvolvimento de aviação de combate, embora as empresas não tenham divulgado projetos ou pacotes de trabalho específicos.

Diversos caminhos para caças em avaliação
A iniciativa ocorre enquanto o Canadá lida simultaneamente com suas necessidades atuais e futuras de caças.
A Força Aérea Real Canadense recebeu na semana passada seus dois primeiros Lockheed Martin CF-35A Lightning II na Base Aérea de Luke, no Arizona. O Canadá selecionou originalmente 88 F-35A para substituir seus CF-18 Hornet, mas o governo do primeiro-ministro Mark Carney revisa se concluirá toda a aquisição após o compromisso com as primeiras 16 aeronaves.
Ottawa também avaliou o Saab Gripen E como possível alternativa para parte da demanda. A Saab propôs ampla participação industrial canadense caso o governo opte por operar uma frota mista de caças.
O GCAP contempla um horizonte diferente. O programa Reino Unido-Itália-Japão desenvolve um caça de sexta geração para entrada em operação por volta de 2035 e pretende integrar um sistema aéreo de combate mais amplo, que inclui aeronaves tripuladas e não tripuladas, sensores e capacidades em rede.
O status de observador do Canadá, portanto, não implica que o GCAP substituirá o F-35. Ele garante a Ottawa acesso a um programa voltado à geração de caças que sucederá os atuais F-35, Gripen E e outros modelos avançados.
