Os jatos executivos da série Global da Bombardier são considerados alguns dos aviões mais avançados do mundo (Bombardier)

O desmonte da Bombardier na aviação parece ser inevitável. Segundo informou o Wall Street Journal, a fabricante do Canadá está negociando a venda de sua divisão de jatos executivos para o grupo norte-americano Textron, donos das marcas Cessna e Beechcraft.

Citando pessoas familiarizadas com o assunto, a publicação americana afirma que a venda da Bombardier Business Aircraft ajudará a empresa canadense a pagar parte de sua dívida que passa dos US$ 10 bilhões. A fabricante não comentou o assunto.

Em janeiro, a Bombardier sinalizou que pode reduzir sua participação no programa A220 (ex-CSeries). A empresa canadense tem uma fatia de 34% no programa e havia se comprometido a manter investimentos na aeronave por mais cinco anos após a transferência para a Airbus, em 2018.

Ainda um importante nome na aviação executiva, a divisão de jatos executivos da Bombardier compete em um mercado que é difícil e instável para todas as fabricantes do setor. A oferta de produtos é enorme, com mais de 40 opções diferentes, mas a média de aeronaves entregues vem pairando na faixa de apenas 700 aviões por ano na última década.

Para a Textron, adquirir os jatos canadenses seria um passo imenso em tecnologia e a chance de atuar em mais categorias da aviação executiva com modelos de pequeno e médio porte. A linha de jatos executivos da Bombardier compreende as famílias Learjet, Challenger e Global.

O Learjet 75 Liberty é o jato de entrada da Bombardier Business Aircraft (Bombardier)

Saindo do ar e entrando nos trilhos

Fundada em 10 de julho de 1942 pelo inventor canadense Joseph-Armand Bombardier, o famoso grupo canadense iniciou sua trajetória industrial construindo motos de neve (snowmobile). Em 1974 a empresa assinou seus primeiros acordos para desenvolver sistemas ferroviários no Canadá e somente na década seguinte, em 1986, ingressou na aviação ao adquirir a Canadair. Mais adiante a companhia também incorporou a de Havilland Canada, Short Brothers e a Learjet.

A Bombardier está em processo de reestruturação desde 2017 e vem promovendo severos cortes nas áreas de aviação. No ano passados, a empresa vendeu os direitos de produção e fábricas dos turboélices QSeries e dos jatos regionais CRJ, adquiridos pelo grupo canadense Longview Aircraft Capital (que “ressuscitou” a marca de Havilland Canada) e a Mitsubishi. Outra baixa foi a venda da divisão Short Brothers, na Irlanda do Norte, que pertencia ao grupo desde 1977.

Fora do ramo de snowmobiles (e outros veículos recreativos) desde 2003 e prestes a abandonar a aviação, restará a Bombardier focar no segmento ferroviário, onde tem longa tradição e algum fôlego para continuar viva de alguma forma no mercado.

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